quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sakura no Chi chapter 9 parte 1

Saya -parte 1

 Os cobertores cobriam o corpo frio e frágil da rapariga que dormia sossegada na cama pequena, sem sonhar com nada, sem prensar em nada... apenas a dormir. Os seus cabelos longos misturavam-se uns com outros, cobrindo a cara aleatoriamente da rapariga enquanto esta repousava na almofada. O silencio era por vezes interrompido pelos pássaros que piavam em frente ao quarto, mexendo as suas asas com o passar do vento, desfrutando a leve brisa da manhã enquanto os gatos banhavam-se nos raios solares, murmurando palavras de afeto uns aos outros, felizes pela manhã calma e quente.
 O quarto mantinha-se quieto e estático, sem movimento algum. Se não fosse o leve respirar da rapariga, podia-se pensar que ela estava morta, de tão quieta que estava. Até parecia que o ambiente gelou, parou tempo. Até que a porta fechada abriu-se, entrando alguém de mansinho, tentando não fazer nenhum barulho para não acordar a rapariga da qual aproximava-se em bicos de pés, que dormia sossegada não prestando atenção a nada a sua volta, como se isso não existisse. O estranho recém-chegado, aproximando-se muito mais da cama, deitou-se ao seu lado, afastando uns cabelos do ouvido para poder sussurrar enquanto abraçava a rapariga sem qualquer aviso.
- Bom dia dorminhoca.- um sussurro foi o suficiente para acordar a rapariga, alerta a tudo.
 Rolando para o lado, o estranho conseguiu evitar um ponta-pé vindo de baixo, uma tentativa que a rapariga sonolenta fez para atacar o seu agressor. Logo depois, levantou-se, ficando a olhar para os lados, a procura muito espantada.  Foi então que um riso proveniente do lado da cama chamou a sua atenção.
  - Apanhei-te! - afirmou Rose, sorrindo, ajeitando o seu vestido enquanto se levantava. - Devias ter visto a tua cara.
 - Sua... não podias ter-me acordado normalmente? - queixou-se Saya, caindo na cama sem forças - Tens mesmo uns métodos estranhos... - acrescentou.
 Rose, sorrindo, agarrou no seu braço e deu-lhe um beijo na face com carinho. Não era a sua intenção te-la assustado, apenas queria surpreende-la, mas com o que se tinha passado no dia anterior, não questionou a sua reação. Pedindo desculpas, sorriu mais uma vez e dirigiu-se para o armário, de onde tirou um curto vestido verde claro simples, sem alças, afirmando aquele dia ser muito mais quente do que o habitual. A Saya nem sequer discutiu, apesar de não gostar de utilizar vestidos. Rose tinha sempre razão no que tinha a haver com o tempo, sendo ela a sua própria estação meteorológica que nunca falhava, nem uma só vez. É claro que a sua companhia tinha mais vantagens, como o facto de ela saber sempre o que dizer para acabar com uma atmosfera depressiva ou tomar sempre iniciativa de ajuda-la, mesmo quando os outros rejeitavam a sua ideia. Suspirando, Saya vestiu rapidamente o que lhe foi dado, sentando-se na cama enquanto a sua ajudante de um metro e meio brincava com o seu cabelo, justificando que estava apenas a tentar escolher o penteado ideal para aquela tarde. Duma coisa Saya estava certa depois de a conhecer durante todos aqueles anos, Rose era maníaca por cabelos longos. Desde tranças até quem sabe o que, a sua imaginação não tinha limites nesses aspeto.
 - Perfeita! – afirmou depois de uns bons dez minutos. – Assim estas perfeita!
Dando um salto para fora da cama, esperou que a sua vitima olhasse para o espelho, sorrindo com a expressão de assombro e adoração que esta exprimiu. Na verdade, o penteado era bastante simples de fazer. Apenas eram necessário ter um cabelo longo, ganchos e uma flor clara. Depois, apenas agarravam tudo e brincavam durante tempo suficiente. Era essa a sua tática e nunca a tinha falhado. Um cheiro a ovos cozidos e panquecas acordou o estômago dormente das duas, que se riram com o roncar do mesmo, dando as mão e saindo do quarto antes que alguém tivesse tempo para subir as escadas e as chamar, o que devia ser o plano, pois encontraram o Dark no meio das escadas, já pronto para gritar.
 - Já estamos aqui. – Anunciou Rose, mostrando a língua ao rapaz.
 - Consigo ver isso. Ainda não sou sego.
 A voz irritada do mesmo baralhou um pouco a Saya. Era habitual que ele não fale muito, especialmente a frente dos outros, mas ele sempre mantinha uma cara neutra, não importa o que. Até ela só tinha o visto irritado uma vez. “Uma estreia..” pensou, interrogando-se o que o tinha posto tão carrancudo. Só que aquele não era o tempo para perguntas, pois ninguém a iria deixar pensar em paz.
 Entrando na cozinha, ela foi surpreendida por um enorme grito de “Surpresa” e “Parabéns”. A mesa já estava posta e um enorme bolo branco encontrava-se no meio de tudo, com velas de números 1 e 6 em cima deste, já acesas. Alguém pediu-lhe para as apagar, pelo que aproximou-se da mesa, sorrindo. Era o seu dia de aniversario, o dia que todos esperavam, por várias razões diferentes. Já há semanas que sonhava com este dia, mas como sempre faltavam dois elementos que apareciam nos seus sonhos anualmente, mas nunca na realidade. Sorrindo ainda mais, Saya fechou os olhos e pediu um desejo, esperando que ninguém conseguisse advinha-lo, apagando as velas o mais rápido que pode. Mais uma salva de palmas encheu a cozinha e ele foi rodeada por imensos abraças vindos de todos os lados.
- Vamos cortar o bolo… - sussurrou alguém, já com a faca na mão.
 Devia ser o Natsu. Ela não conseguia ver muito bem pois este estava do outro lado da mesa, mas ele sempre adorou os bolos e doces, enquanto o seu irmão detestava e mantinha-se o mais afastado destes. Ao cortar o bolo, ela realmente não conseguia deixar de sorrir. Adorava passar o aniversario com eles, pois tornava-o especial, importante. Muitas vezes recordava-se como era passa-lo sozinha, contudo ela não iria pensar nisso naquele dia. Era um dia de celebração, tanto para ela como para todos os outros. Era mesmo um dia especial.

 "Saya! Saya!" Alguém chamava por entre o vento feroz do Inverno que arrancava as folhas das árvores negras. "Vem...vem..." A menina de cabelos pretos olhava a sua volta. Estava perdida, sem saber por onde deveria ir para chegar a casa. O pesado nevoeiro cortava-lhe a visão, impedindo-a de ver algo para alem do que se encontrava a sua frente. Já não usava o quimono de antes mas sim um pequeno vestido preto que lhe tinha sido dado. Mais uma vez era o seu aniversario mas a lua não apareceu. Estava a espera dela por tanto tempo, só que esta quebrou a sua promessa. "Vamos Sakura." afirmou, levantando-se do chão no qual se tinha sentado, caminhando pelo caminho repleto de folhas de cerejeira que lhe mostravam o caminho."

 A Saya dormia mais uma vez por baixo da árvore que tinham no jardim, como tantas vezes já o tinha feito antes. O céu azul da manhã foi substituído por tons alaranjados do por do sol, indicando a altura para a note chegar. As nuvens erguiam-se no céu como pássaros, voando o mais rápido que lhes era permitido seguindo o vento suave do sul, que lhes prometia terras mais quentes. "Que bonito.." pensou Saya, lembrando-se do sonho. Seria mesmo um sonho ou uma lembrança? Não podia responder a isso mas sabia que o nome, Sakura, era lhe familiar, muito, muito familiar. Levantou-se do chão ao som da voz da Kaila que a chamava para tomar um chã com todos os que estavam acordados. Os gémeos dormiam sossegados na sala de estar. Depois do Dark ter ralhado com eles por brincar com a comida, foram dormir meio resignados deixando os mais velhos tratar da limpeza. Até Rose se tinha esgueirado só para não lidar com a confusão, arranjando uma desculpa esfarrapada e fugindo a sete pés. Apenas os mais velhos ficaram, tomando naquele momento um chá de camomila relaxante quando Saya se juntou.
 - Conhecem alguém chamada Sakura? - perguntou pegando na chávena.
 - Quem? - interrogou Kaila, enquanto Dark tossia repentinamente.
 - Sakura. Conhecem alguém chamado Sakura?
 - Temo desiludir-te mas não conheço... é alguma das tuas amigas?
 - Não.. esquece...
 Sorrindo, bebeu o seu chá ainda a olhar de lado para o rapaz. A sua reação tinha sido suspeita, muito suspeita, só que Kaila parecia muito sincera e não queria nada desconfiar deles sem ter qualquer prova. Ao acabar de tomar o chã, levantou-se repentinamente dirigindo-se ao seu quarto. Não entendia porque mas estava com muito sono. Era assim sempre durante o seu aniversario. Mas não ia dormir naquele dia. Durante anos tinha esperado por aquele acontecimento e não ia desperdiça-lo facilmente. Seria lua cheia, tal como no dia em que nasceu.
 Ao subir as escadas, reparou que algo estranho se estava a passar fora de casa. As árvores, geralmente calmas, agitavam-se violentamente apesar de não existir nenhum vento. Os cães ladravam fortemente, tentado escapar das suas casas. Segundos depois, a razão foi revelada. Um terramoto enorme atingiu a casa da Saya, destruindo a sua casa sem qualquer remorsos.