Deixando que Rose lhe tratasse as feridas, o olhar gelado da Saya nunca deixou a expressão sombria do Dark que parecia afundar-se mais e mais nos seus pensamentos. Ela sabia o que ele estava a tentar fazer, a tentar encontrar uma mentira que pudesse explicar o que aconteceu e ao mesmo tempo acalma-la. Porém, ele estava com muito azar naquele dia.
Logo que as suas feridas desapareceram, Saya virou-se para ele e, fitando-o nos olhos, exigiu a verdade. Estava farta das mentiras e meias verdades que todos lhe costumavam contar. Não era só o Dark. Natsu, Yuki, Rose.... Até mesmo Kaila, que costumava acompanhá-la nas suas maluquices mantinha segredos dela, já para não falar nos seus próprios pais. Naquele dia ela não admitiria mentiras ou meias verdades.
- Conta.
Exigiu calmamente, sentada no sofá a olhar para os cinco amigos reunidos. Apesar disso dirigia-se apenas a uma única pessoa na sala, que se destacava não só pela altura, bem como pela expressão sombria.
- Não há nada para contar. - A voz calma e controlada do Dark apenas serviu para irritar mais a Saya, que se levantou sem tomar atenção aos avisos dos outros.
- Nem te atrevas! - a sua ameaça não vinha nas palavras, mas sim no timbre da voz A minha casa esta meio destruída e tu queres que eu acredite que nada se esta a passar? Dark, eu já não sou uma menina que não entende nada. Tu sabes que eu nunca o fui... Agora conta. Do inicio!
A tarde passava lentamente enquanto as paredes da casa destruída eram arranjadas o mais rápido possível. Porem tal, mesmo com o número de trabalhadores já lá estavam, demoraria uns bons três ou quatro dias.
No jardim, Saya olhava para o por do sol zangada, tentando fazer o máximo para não pensar no silêncio excessivo do Dark e dos outros, pois tal apenas a levaria a ficar mais e mais deprimida. Apesar de não ser a primeira vez, aquele segredos estava a devora-la por dentro, com a curiosidade e a imaginação a correr a mil metros por hora. Um suspiro longo fez se ouvir atrás dela, aparecendo o Natsu cansado e ensonado seguido do irmão que até já dormitava em pé.
- Venham cá. – Chamou os Saya com um sorriso, reprovando a sua própria estupidez.
Desde que o seu aniversário começou a aproximar-se, tudo corria para o torto. Primeiro os seus pais, depois aquele estúpido buraco, para acabar em grande com a casa meio destruída. Ela nem conseguia imaginar pelo que passaram os outros cinco, ansiosos e sem saberem onde ela estava ou se estava bem. A ligação que tinha com eles era muito mais forte do que uma simples amizade. Eles iriam ajuda-la sempre que ela necessitava, tal como ela iria o fazer. Se um morresse, todos perderiam uma parte da sua alma. Estavam ligados por sangue, não apenas laços abstractos. Porém naquele momento ela estava a tratar todos como uns traidores, exigindo verdades que poderiam não poder dizer sem sequer preocupar-se com o que estes estavam a sentir. É claro que ela queria saber o que se passava, o grande segredo negro que escondiam dela. Mas a que custo? Eles eram muito mais importantes para ela do que um segredo.
- Estou a falar a serio. – Sorriu-lhes quando estes a olharam desconfiados. – Todos temos direitos de guardas uns segredos certo?
Entreolhando-se, os gémeos aproximaram-se e deitaram-se ao pé dela, pondo as cabeças nos joelhos. Encostada a uma árvore, Saya fechou os olhos tal como eles. Por muito incrível que parecesse, também necessitava de descansar. Parecia que as suas forças estavam a ser drenadas a cada segundo mais e mais. Os acontecimentos daquela semana pesavam-lhe na consciência e a única coisa que queria era desaparecer por momentos e esquecer tudo. Lentamente, como nos contos de fadas, as suas preocupações desapareceram e por fim, ela adormeceu.
“-Saya, querida, acorda.
Chamou-me alguém vindo da luz. Eu conhecia aquela voz, era a voz da minha mãe que eu tantas vezes já ouvi. Era estranho, a esta hora ela devia estar a trabalhar e não a tentar acordar-me.
- Não mãe… quero dormir.
- Querida, esta na hora de acordar…
Agora era o pai. Mas eu queria dormir tanto…”Porque é que eles não me deixam dormir mais um pouco. Só mais uns minutos seriam o ideal… Aposto que o Mike irá rir-se de mim se eu não acordar.”
Abrindo os olhos, a luz do sol cegou-me por uns instantes até que eu reconheci aquele lugar. Eu não estava em casa. Estava no jardim do tio. Olhando a volta rapidamente, vi que a mãe e o pai também lá estavam, bem como o Mike com um sorriso malandro e os seus dois irmãos. O tio e os amigos do pai também se encontravam no jardim. Por momentos senti-me envergonha. Todos olhavam para mim com sorriso porém eu nem sabia porque o faziam. “Será que estou d pijama?” Essa era uma possibilidade bem provável, visto que estava a dormir alguns momentos. Olhando para baixo sobressaltei-me. Afinal de contas não estava de pijama mas sim de um kimono vermelho. Aposto que foi o tio que deu. Ele adora dar-me prendas. Mas assim falta uma razão para todos olharem para mim. Se não estava de pijama, então era uma festa qualquer… mas qual?...
Antes de ter tempo para pensar melhor, todos exclamaram em uníssono.
- Feliz aniversario!!!!”