quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sakura no Chi chapter 9 part 3


  A escuridão puxava a consciência da rapariga para as profundezas, escondendo-a da dor e do sofrimento por de traz de enormes cabelos negros, cobrindo a entrada da luz. Esta já nem sequer estava a lutar contra a sua captora, ansiando pelo esquecimento e inconsciência que lhe trariam paz de espírito mais uma vez. As águas profundas seguravam-na delicadamente, levando-a para o infinito.
  “Saya” Uma voz estranha chamou da superfície, tentando alcançar as profundezas. Algo agitou-se na água mas não era o suficiente para acordar a bela adormecia. “Saya, volta.” Uma voz meio chorosa puxava-a para cima, impedindo o seu esquecimento. “Estamos a tua espera, princesa.” Mais uma vez, a rapariga agitou-se, abrindo os olhos no meio da escuridão a procura da luz. Sabia que devia estar muito perto, mas onde? Era difícil o suficiente manter os olhos abertos, quanto mais raciocinar devidamente. Uma por uma, as cores até ai esquecidas começaram a aparecer, porém estavam erradas. A rapariga lembrava-se daquela paisagem. Tinha a visto alguns dias atrás, com as enormes árvores a crescer para o céu e a amigável cidade medieval com as suas cores castanhas e amarelas. Porém o vermelho era a cor predominante. O que devia ser verde ardia com pinceladas de laranja e vermelho, enquanto as paredes da antiga cidade reflectiam o terror do vermelho escuro do sangue. “Saya, foge! Foge!” Alguém gritava, escondido da sua vista.
  Um puxão da cabeça foi o suficiente para gelar. A sua frente, um enorme dragão de fogo erguia-se pelo céu escuro da noite, pintando-o de vermelho e roxo, enquanto lançava fogo a tudo o que o rodeava. “Corre!” Mais um grito conhecido chamou-a, obrigando-a a virar-se mais uma vez.
  Um grito mortífero fez se ouvir pela planície, gelando as suas veias. Ela conhecia aquela voz, conhecia-a bem de mais. Os olhos demoraram segundos a focarem-se, varrendo o que restava do verde sem demoras, até encontrar o que procurava.
  No chão, deitado no chão a esvaziar-se de sangue estava o Dark, de olhos fechados e com uma espada vermelha cravada no seu peito. Correndo até ele sem tomar atenção a nada, ela sentou-se nervosa, tendo medo de ele já ter morrido. “Fica comigo…” Uma voz de criança rompeu o silêncio, enquanto lágrimas salgadas percorriam silenciosamente as suas faces, seguidas de soluços e lamentos. “Tu desses-te que ficavam comigo para sempre! Não mintas!” As mãos estranhamente pequenas moveram-se até a espada agarrando-a, sem saber o que fazer. A rapariga tremia sem parar, esperando ela sua resposta. Ele não podia morrer, não depois de a ter encontrado.
  Porém o silêncio manteve-se, interrompido apenas pelo chiar do vento e o murmurar das ervas em sofrimento. “Sa…ya…” Os olhos azul-escuro abriram-se, brilhando por uns momentos, escondendo o seu sofrimento, até que a cor desvaneceu. O brilho foi-se e a sua cabeça tombou para o lado.
   “Não, não, não, não…” Pensava a rapariga, já sem se conseguir controlar. Alguém se aproximava dela, murmurando palavras incompreensíveis, chamando-a pelo seu nome. Mas estes não lhe importavam. Tinham-no morto, tirado a sua vida sem mais nem menos, arrancando-o da sua vida. “Não… Não vou perdoar…” Fulminando os recém-chegados com o olhar, incendiou as suas roupas e a pele, deixando de ouvir os sues gritos de socorro.
  Ela sabia o que fazer. Não o podia deixar morrer sem mais nem menos, não depois do que ele tinha feito por ela. Inclinando-se levemente até tocar na sua cara, ela começou a sussurrar palavras sem sentido, numa língua diferente e antiga que já ninguém sabia usar. O seu cabelo começou a brilhar, mais brilhante que as estrelas ou a lua. Um fio de sangue tocou nos lábios dele, originando da sua mão cortada.
 “Volta, Dark…” chamou, beijando-o.

  Um toque frio e desconhecido chamou a atenção da Saya inconsciente, que tentava ao máximo não acordar para não se deparar com a dor. Alguém a chamava, insistindo em faze-la voltar ao mundo dos vivos. Não que ela estivesse morta, estava bem viva até, mas no momento em que se voltaria a focar, toda a dor que tentava evitar voltaria a ataca-la violentamente, sem nenhum receio de a fazer chorar.
  Porém, as mãos geladas eram demasiado insistentes, irritando-a ao chama-la a razão.
 - Calem-se mas é! – gritou de repente, levantando as constas do sofá no qual se deitava – Que tal darem-se mais alguns segundos? Não sou masoquista, sabiam?
  A sua voz forte e irritada fez sorrir as cinco pessoas que a olhavam preocupadas, ansiosas pelo seu regresso. Tal como Saya esperava, a dor veio sem avisar, atacando as suas costelas e o braço esquerdo. Arquejando de surpresa, a mão direita vou até ao estômago, tentando impedir a si mesma de se dobrar. A Rose correu em seu auxílio, dando-lhe um comprimido branco que a forçou a engolir sem mais nenhuma palavra. Como por magia, a dor desapareceu momentaneamente, deixando-a respirar em paz.
 - Meu deus, o que aconteceu? - perguntou, ignorando a pequena bruxinha que lhe observava o braço.
  A sua memória estava incrivelmente vaga e os pormenores escondiam-se por de traz de uma enorme cortina pesada de medo e insegurança. Uma sombra passou pelos olhos do Dark que a observava, ansioso por sair daquela casa a procura does responsáveis pela destruição. Aquilo não foi meramente um acaso, ele sabia isso, tal como todos os outros. Apesar de tentarem manter a Saya na ignorância, protegendo-a dos perigos, ela parecia sempre saber se algo se estava a passar. E aquele dia não era uma excepção.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sakura no Chii chapter 9 parte 2

 
   Primeiro caiu o chão. As escadas  foram seguintes, caindo como domino, uma atrás de outra. A parede, uma parte do teto, seguiram-se, juntamente com todos os objetos guardados na arrecadação. Destruição e terror giravam na casa. Os bocados de cimento e madeira embatiam no chão ruidosamente, ofuscando os gritos de medo e socorro da Saya que se encolhia por entre os destroços, depois de subir rapidamente pelo que restava das escadas, tentando proteger-se do perigo. Os sentidos já nem respondiam como devia ser. O terror e o medo invadiam-na por todo o lado enquanto esta fechava os olhos para não ver nada a sua volta. Não ouvia nem um som com os ouvidos afetados pelo ruído do desabafamento da casa. Só queria sair dali.
 Os minutos bem podiam ser horas ou anos, mas por fim a destruição parou o suficiente para esta entender isso. Abrindo os olhos, o pó voou como vento até estes, forçando-a a fecha-los o mais rápido que conseguia, movendo a mão até ao seu nariz. A poeira parecia um inferno nos seus pulmões, dificultando a respiração o mais que conseguia. Parecia que já não existia mais oxigénio naquela divisão destruída. Os cinco sentidos dos quais os humanos tão dependiam eram-lhe negados a todo o vapor. Desde o olfato até a audição, nada funcionava expecto o gosto, sentindo a poeira na língua pesada. Poderia até ser sangue misturado com poeiras... não se lembrava se o latejar na língua era do impacto ou dos seus dentes... Tentando por-se de pé, embateu contra algo por cima da sua cabeça, caindo no chão com um estrondo que os seus ouvidos não chegaram a ouvir. O zumbido constante lembrava-lhe os chatos incestos que a adoravam rodear durante o verão e sugar-lhe o sangue, porem esses não lhe provocavam tanta dor de cabeça. Sentindo que não podia fazer nada, o desespero invadia ainda mais, sugando-lhe o resto da esperança. Sentia que se esquecerá de algo muito importante, mas a sua situação não lhe permitia muita reflexão própria.
 Abrindo os olhos devagarinho, já não os fechou mais. A destruição foi a única coisa que viu. Olhando para baixo agradeceu aos deuses desconhecidos. Estava sentava a milímetros do precipício que outrora foram as suas escadas. "Oh meu deus..." sentia as lágrimas a chegar aos olhos, porém não lhes iria permitir chegar mais longe que isso. Doía-lhe  o corpo todo, desde a cabeça até aos dedos dos pés cortados. Os joelhos latejavam em conjunto com as mãos que levou a cara para limpar um pouco de pó, ficando com o sangue todo em cima de si. Acreditava não morrer por causa de nenhuma das suas feridas, só que a dor era meio insuportável.
 - Saya! - alguém chamava-a ao longe, atrás de si. - Saya!
 Alguém chamou-a outra vez. Era tão longe e tão distante a voz. Desejou que a deixassem em paz por momentos, porem ao virar a cabeça lentamente, deu caras com o Dar que a olhava preocupado. Mais uma vez, Saya estava sem palavras. Pela primeira vez via uma emoção tão forte na sua cara que sempre se mantinha inflexível não importa as circunstancias. Era bela, mesmo com o medo todo refletido nela.
 - Dark... - chamou, levantando a mão para acaricia-lo com um sorriso séptico na cara, desmaiando no momento seguinte.
 - Saya! Saya!  - Dark chamava precipitadamente, ignorando o sangue leve que ficou na sua face.
 - Calma. - Rose apareceu por de traz dele, indo logo ajudar a Saya - Ela só desmaiou... Tens que ficar calmo e deixar-me trata-la. Vai descobrir quem fez isto ou encontrar alguém para arranjar esta confusão... - um suspiro logo fez se ouvir dos seus lábios de criança - Parece que vamos ter de nos mudar... mais uma vez.

 "Tens a certeza que é isto que queres? Eu podia dar-te tudo! O meu amor, o meu dinheiro... a mão de quem amas, um castelo, uma vida eterna... Responde-me! Sakura! Não não vás! Responde! Sakura!"