sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sakura no Chi chapter 6 part 1



 Na estranha casa


Saya estava a dormir sossegada num quarto estranho. Não sonhava, só dormia, esquecendo todas as suas preocupações. O quarto era grande e espaçoso, do estilo japonês, com cores escuras e fortes. As paredes, de madeira, estavam cobertas por papel de parede com flores de Sakura. O chão também era de madeira, mas com uma mais escura que a primeira.
 Via-se um pequeno armário com espelho num dos cantos interiores e alguns vasos. Mas de resto, não havia mais nada a não ser a cama onde Saya dormia. A porta da entrada situava-se a sul, dando acesso para o jardim. Havia mais uma porta de entrada do lado oposto, sendo esta mais pequena e mais escondida.
 Ninguém veio acordar a rapariga e esta continuou a dormir até que o dia deu lugar a noite. Ainda não era completamente escuro. O sol escondia-se atrás das nuvens, criando padrões de cores vermelhas e laranjas com várias formas. Era difícil descrever a imagem e os sentimentos que causava aos seus observadores. A lua espreitava, brilhando de vez em quando, esperando a sua vez de aparecer.
 Abrindo os olhos devagar, Saya olhou a volta confusa, ainda meio a dormir. Não se lembrava de nada de jeito. Só algumas recordações pouco claras. A sua cabeça doía horrivelmente e a mão esquerda ainda estava dormente. Levantando as costas, ela tinha que admitir que essa era uma situação muito peculiar. Não só ela não sabia onde estava como também não fazia a mínima ideia de como voltar para casa. AS suas memórias estava a voltar lentamente e o dilema aumentava. Os seus pais ficavam fora normalmente durante 6 dias. Logo, l só tinha mais três para voltar ou ia meter-se em sérios problemas. “Isto vai ser mau…” pensou. A rapariga sabia que o Dark e os outros já estavam naquele mundo. Conseguia senti-los antes, quando eles chagaram, mas até os mais hábeis teriam dificuldades em encontra-la em tão pouco tempo. Para piorar a sua situação, nem ela mesma sabia onde estava.
 Suspirando mais uma vez, Saya levantou-se, notando uma coisa muito estranha. Ela não estava a utilizar as suas roupas normais mas sim uma espécie de quimono branco e leve. Ela tinha a certeza que isso tinha um nome especifico mas graças a sua má vontade de estudar historia, ela nunca tinha decorado o se nome. Envergonhada, Saya procurou a sua roupa. Sentia-se muito exposta com aquele tipo de vestuário. Só que não importa como ela procurou, não encontrou nada, nem mesmo a sua mala.
 - Bolas! – exclamou irritada, olhando mais uma vez a volta do quarto.
 - Passa-se algo, princesa? – interrogou uma voz desconhecida, vindo da entrada.
 Virando-se muito rapidamente. Saya tentou focar o seu olhar no recém-chegado. O seu coração batia velozmente e a adrenalina pulava nas veias. Ela não tinha a certeza se conseguia fugir mas não iria a baixo sem uma luta. Para o seu espantado, ela reconheceu-o. Era o Mike, o rapaz com o qual esteve a discutir alguns segundos antes de ter desmaiado. A diferença era que desta vez, ela vinha vestido com o mesmo quimono preto que todos os outros homens com arma e trazia um tabuleiro com comida. Grata por não ser um estranho qualquer ou os homens aos quais tinha enganado antes, Saya praticamente deixou cair-se em cima da cama, suspirando pela terceira vez desde que acordou.
  Espantado e preocupado, Mike entrou sem qualquer cerimonias, observando-a com interesse. Ao sentar-se na cama, ele empurrou-lhe o tabuleiro, dizendo.
  -Toma. Deves estar com fome.
 O estômago da Saya roncou nesse mesmo momento, como se estivesse a relembrar que ele ainda existia. Ela comeu em silêncio, devorando a comida com apetite. Não era grande coisa mas a ultima coisa que comeu foi uma maça, pelo que não se queixou. A refeição era composta por um prato de sopa e arroz, com alguma salada. Mike olhava para ela ainda mais interessado, como se ela tivesse confirmado algumas das suspeitas que ele tinha acerca dela. Ignorando-o um pouco, Saya aproveitou a oportunidade para meditar acerca do que fazia naquele lugar. Era obvio que foi ele ou um dos seus amigos a traze-la para aquele lugar, só que ela não via uma razão para tal. Ele podia te lá morto, mas não o fez, o que, mais a comida que lhe deu, fazia dele um homem mais ou menos decente, pelo que ela esqueceu a sua intenção de matar o homem.
 - Então, como te chamas? – perguntou Mike, logo que ela acabou de comer.
 Tinha uma cara seria e brincalhona ao mesmo tempo, pelo que Saya bebeu um copo de agua antes de lhe responder.
 - Chamo-me Saya. Onde estou?
 No momento, era essa a questão mais importante. Se soubesse onde estava, então talvez conseguiria de encontrar uma maneira de sair daquele lugar. Por segundos, Saya penou em esconder o seu nome do Mike só que não conseguiu encontrar nenhum tipo de benefício nisso. O rapaz também não lhe respondeu logo, observando-a por momentos, como se estivesse a avalia-la com uma cara seria. O seu olhar revelou que ficou satisfeito com o que via e, respirando fundo duas vezes, afirmou.
 - Este é o lugar onde vivo, Zona 5.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Sakura no Chi Chapter 5 parte 2


 Os prédios eram velhos e pareciam estar abandonados. Saya ficou pura e simplesmente a olhar para eles, hipnotizada. Parecia que não era a primeira vez que os via mas a sua memoria não lhe conseguia responder a essa pergunta. Olhando com atenção, ela virou-se, ficando de frente para a rua rodeada pelos prédios. Já tinha acontecido antes. Aquela sensação de já ter já estado, de que não era a primeira vez que via aquele cenário. Quando entrou no mercado, por momentos ficou paralisada, a espera de alguém ou de algo. A mesma coisa estava a acontecer naquele lugar estranho.
 As ruas rodeadas por prédios abandonados pareciam estar desertas mas, em alguns recantos,escondiam-se pessoas. Só que nem mesmo elas eram normais. Imundas, estavam sentadas nos cantos, a espera de esmola. Uns com roupas em farrapos, outros já sem sequer se mexer, respirando lentamente,a olhar para o céu. Os prédios também tinham esse aspeto. Sem vidros nas janelas, davam um ar perigoso a aquela área.
 Sem pensar duas vezes, Saya encaminhou-se pela rua fora, devagar e a cantarolar baixinho para si própria. Era excitante aquele lugar não só pelo seu ár perigoso mas também porque cheirava a mistério e aventura. Um homens levantou-se de repente, logo após ela entrando na rua. No inicio, Saya pensou que ia pedir esmola mas rapidamente entendeu que não era assim. As roupas dele, por baixo daqueles farrapos, eram  novinhas em folha, com um aspeto rico e requintado. Espantada, Saya fingiu não ver nada, continuando a nadar como se nada tivesse acontecido, na esperança ele não vir atrás dela. Mas não foi assim que aconteceu.O homem continuou a aproximar-se, obrigando a Saya a dirigir-se contra uma parede.
  -Então doçura? Que estas a fazer por estes lugares tão estranhos? - interrogou-a, sorrindo.
 Tinha uns dentes perfeitos e brancos por baixo daquela maquilhagem esquisita toda que o fazia parecer velho e pobre. Um dos dentes era de ouro e parecia ser mesmo de ouro puro. Saya já não conseguia recuar mais e, encostada a parede, observou o homem um pouco assustada. Já há muito tempo que ela não era assaltada por alguém. Por um lado, era um pouco assustador mas ao mesmo tempo, interessante.
 - Queres dar uma volta comigo? Seria um grande...
 O que aconteceu foi tão rápido que Saya nem conseguiu entender vários minutos depois de tudo. O homem estava a falar com ela, inclinado, com um sorriso horrível quando, sem qualquer aviso, algo caiu em cima dele com toda a força, derrubando-o. Ela continuou no mesmo local, a espera que os seus olhos se adaptem ao movimento súbito quando mais dois indivíduos saltaram sem qualquer aviso para o chão. Eram dois rapazes novos, parecendo não ter mais do que 14 ou 15 anos. Por momentos, Saya pensou sentir um deja-vu enquanto olhava para os estranhos, observando e analisando os seus movimentos. Pelos vistos, a coisa estranha que caiu antes também era um rapaz mas mais velho e de aspeto mais robusto que os outros. Os três, ignorando-a, começaram a examinar o homem inconsciente.
 - Hmm.... Bela caça hoje!- comentou o mais velho, esvaziando os bolsos do inconsciente.
 Este era alto, muito alto. Saya estimou que devia ser um metro e noventa ou mais. Tinha uns olhos castanhos escuros e o cabelo também era assim, quase preto. Não era só isso que fazia dele mais velho. O corpo era bem desenvolvido e musculado, visível mesmo por baixo da roupa que usava, e ele tinha uma aura de irmão mais velho que Saya tanto adorava. Os outros dois eram mais baixos que ele e pareciam gémeos, só que um tinha o cabelo negro enquanto o outro tinha loiro, sendo que os dois tinham olhos castanhos escuros, tal como o mais velho. "Devem ser irmãos..." Saya pensou, afastando-se um pouco da parede. Era pouco confortável e a possibilidade de mais alguém saltar de cima do prédio era muito elevada.
 - Olha Mark! - chamou o gémeo de cabelo loiro - Era este que tinha o anel.
 O mais velho aproximou-se. Era ele que se chamava Mark.Pegando do anel, ele sorriu. Tinha uns dentes direitos e muito brancos, que faziam um leve contraste contra a sua pele morena. Ao guarda-lo, ele deu os parabéns aos rapazes, olhando para o homem inconsciente. De repente, ele tirou uma pequena espada, apontando-a para ele. Saya moveu-se sem pensar, correndo até alcança-los e metendo-se a frente do homem inconsciente, com uma expressão determinada.
- O que é que vais fazer?  - interrogou-o, ignorando os olhares espantados dos três, como se fosse a primeira vez que a viam.
 Os olhos verdes da Saya continuavam a analisar a situação. Duvidava que conseguisse ganhar a aqueles homens, mas ela não queria ver ninguém morrer a sua frente. Ainda a espera de uma resposta, ela sentia-se incomodada com os olhares que os três lhe estavam a lançar. Era como se eles estivessem chocados com algo, sem tirar os seus olhos dela.
 - Alguém me vai responder?
 A voz da Saya era fria e rispida, conseguindo com que os três acordassem. Mesmo assim, os dois mais novos ainda a olhavam estranhamente. Tentando ignora-los, ela concentrou-se na resposta do Mike.
 - Ele roubou algo muito importante e a minha missão é recupera-lo e castigar a pessoa que fez isso.
 A sua resposta baralhou-a ainda mais.
 - Tu não ias castiga-lo, tu ias mata-lo!
  - Hm... - Mike sorriu, bem como os gémeos. - Tens razão. Ninguém vai saber nada se eu o matar, por isso, porque é que não haveria de o fazer?  - olhando para Saya de cima a baixo, ele interrogou-a por sua vez - Mas porque é que isso te importa? Devias ter fugido quando tinhas tempo. Ou será que és a ajudante dele?
 - Tu tens cá uma lata! - os olhos da Saya faiscaram, de fúria e indignação - Nunca ia ajudar este estúpido mas não vejo nenhuma razão para mata-lo. Ainda por cima, a tua missão era castiga-lo, certo? - Espantados pela sua reação, os três entre olharam-se e Mike tentou responder mas foi interrompido, quando ela continuou. - Se tu esperas que eu te deixe mata-lo, estas muito enganado. Tenta e eu conto tudo aos teus superiores. Ao contrario dele, eu tenho alguém que vingará a minha morte com todo o prazer.
 Saya estava a pensar nos gémeos e na Rose, bem como nos outros. Da ultima vez que alguém tentou fazer-lhe algo acabou por sofrer uma morte lenta e dolorosa. Se eles estavam espantados com as suas respostas anteriores, nada se comparava com o choque que eles sofreram após aquela resposta.
  "Ela é forte..." pensou Mike. Ele não podia dar um passo em falso naquela situação. O seu aspeto já era suficiente estranho para ele, quanto mais as suas afirmações. Apesar de tudo, ela parecia segura no que dizia, porem, Mike nunca a viu antes. Ela parecia uma princesa, com aqueles cabelos pretos e olhos exóticos, e ele sabia, por experiência própria, que um atentado a uma das princesas era seguido de morte instantânea. "Não posso fazer nada até saber quem ela é..." concluiu, mesmo sabendo que, provavelmente, não seria capaz de a matar sem um motivo forte.
 - Olha... que tal fazermos isto. Eu não o mato e tu assim não tens de ser tão antipática comigo. - Mike sorriu, levantando as palmas em pedido de desculpas.
 Levantando uma sobrancelha, Saya sorriu um pouco. Aquela pessoa era tão estranha. "Acho que não faz mal acreditar nele..." Saya pensou, refletindo sobre o assunto. Não tinha nenhuma razão para duvidar das suas palravas, apesar de não gostar das suas palavras anteriores. Preparando-se para responder, Saya respirou fundo mas, de repente, uma dor aguda assaltou-a, prolongando-se pelo seu corpo inteiro. Saya arquejou, parando no meio de uma respiração como se tivesse sido congelada, agarrando rapidamente o braço esquerdo, que era o foco da dor. Um pequeno lamento saiu dos seus lábios, no entanto, ela conseguiu reter tudo o resto dentro dela, não mostrando nenhuma fraqueza verbalmente. Baixando-se, ainda agarrada ao braço, ela não conseguia pensar em mais nada do que manter a dor dentro de si. O braço já não doía, mas ardia. Parecia que alguém incendiou o seu braço e o resto do seu corpo. Fechando os olhos, Saya esperou, pensando, "Eles chegaram", antes de desmaiar.