segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sakura no Chi chapter 10 part 1





Os cobertores quentes cobriam a pele meio nua da Saya que dormia sossegadamente sozinha no seu quarto. A janela meio aberta ao fundo da parede deixava entrar um leve sopro de vento que trazia consigo o cheiro alegre de rosas e cravos silvestres.
   Mexendo-se devagar, Saya abriu os olhos olhando a sua volta um pouco surpreendida. Não estava nada a espera que estar no seu quarto. A última coisa que se lembrava foi ter adormecido no jardim juntamente com os gémeos. "Que estranho..." Levantando-se, tirou o pijama vermelho que vestia e mudou para uns calções de ganga mais confortáveis e uma camisa sem alças branca. Caminhando lentamente para a casa de banho olhou para a entrada surpreendida com as escadas que ai se encontravam em vez de pedaços de parede destruída. Na verdade parecia que nada tinha acontecido, que aquele estranho terramoto foi só parte da sua imaginação e não um acontecimento real ao qual assistiu e sobreviveu. Abanando levemente a cabeça entrou por fim na casa de banho fechando a porta atrás de si a suspirar, olhando logo para o espelho horrorizada. O seu cabelo, normalmente liso e sedoso, espalhava-se pelos seus ombros todo entrelaçado, formando nós grossos, enquanto as suas madeixas tornavam-se cada vez mais visíveis. "Isto vai demorar..." pensou, suspirando mais uma vez ao lavar a cara e agarrar na escova.
   Dez minutos mais tarde, estava uma nova rapariga a sair. Os cabelos vermelhos apanhados num rabo-de-cavalo na nunca, com as madeixas escondidas, pele limpa e olhos mais brilhantes que nunca. Porém, ao aproximar-se das escadas, ouvi um ruído vindo da cozinha. “Mas que..” pensou. A cozinha era um daqueles lugares que apenas ela se aproximava. Nem mesmo a sua mãe tinha a autorização para lá entrar, visto que sempre que o fazia era necessário chamar bombeiros.
    Descendo calmamente, pegou na primeira coisa suficientemente longa e grossa para deixar alguém KO e dirigiu-se a cozinha sem fazer nenhum barulho. Ouviam-se três vozes diferentes, falando numa língua desconhecida rápida e rispidamente. Uma parecia ser de mulher, mas as probabilidades de ela acertar eram tão pequenas que Saya nem sequer deu-se ao trabalho de tentar escutar. Ainda doíam-lhe um pouco os ouvidos, apesar de a Rose os ter curado completamente. Tinha-a assegurado que não era nada que o tempo não resolvesse, afirmando que a dor devia-se ao choque e não a nenhum dano real. Respirando fundo ainda a interrogar-se onde aqueles cinco malucos estavam, Saya olhou de relance para a cozinha dando um grito de surpresa quando uma cara lhe apareceu a frente. Mexendo na vassoura como se fosse uma espada, tentou acertar na cara do desconhecido quando este a agarrou em prelo ar, torcendo a vassoura, obrigando Saya a deixa-la cair.
 - É melhor teres cuidado com essa coisa, querida – Afirmou uma voz estranhamente familiar das sombras – Não gostarias de deixar o teu pai com um enorme olho negro logo no teu aniversario, pois não?
            Das sombras negras saiu uma pessoa que Saya conhecia quase tão bem como a si própria, o seu pai. Os seus olhos castanhos-claros sorriam ao ver a cara espantada da filha enquanto o cabelo revolto lhe tapava meio do olho esquerdo. Sem pensar duas vezes Saya abraçou o pai a sorrir, esquecendo as três vozes que tinha ouvido antes.
 - Pai! Estas a fazer o que aqui? Pensei que tu e a mãe só voltavam daqui a alguns dias… - afirmou, sem deixar de sorrir.
- Mudança de planos. Afinal vais fazer 16 anos, certo? Por fim a minha pequenina vai tornar-se uma mulher.
- Ainda não… Só tenho 16, lembraste? Vou ser maior de idade aos 18…
 - Não no lugar de onde venho querida, não ai. Anda, a tua mãe está a tua espera na cozinha e queremos apresentar-te um familiar muito próximo. É o irmão da tua mãe – sussurrou a ultima parte ao ver o olhar séptico da filha.
            A Saya nunca chegou a conhecer ninguém da família da sua mãe, pelo que estava um pouco excitada em conhecer, por fim, o tio do qual a sua mãe falava tanto e tantas vezes. Seguindo o pai até  cozinha sorrindo, deixou cair o sorriso quando o cheiro a queimado lhe chegou aos ouvidos. “Mas que?” pensou pela segunda vez no dia, correndo até ao fogão onde um fumo espeço saía lentamente, sendo absorvido pela janela aberta logo ao lado.
- Mãe! Eu disse para não cozinhares! – ralhou para o ar sem sequer saber onde ela estava, enquanto afastava a panela do fogão. – Meu deus… o que é que pensavas que estavas afazer, uma fogueira?
- Eu queria fazer algo de especial para ti. Afinal é o teu aniversário e como ainda estavas a dormir resolvi aproveitar… Oh desculpa querida.
            Uma mão clara apareceu do nada, abraçando gentilmente a rapariga zangada que olhava para a sua dona sem sequer esconder a sua fúria. Porém, no momento em que viu os olhos da sua mãe, suspirou e sorriu um pouco, em jeito de desculpas pela sua reacção. Agarrando na panela que pós no lavatório, Saya virou para a mãe sorrindo.
 - Deixe estar… sei bem que cozinhar não é o seu forte… Mas afinal onde esta o tio? Pensei que estava cá consigo.
- Ele vem as doze. – Suspirando, a mãe começou a tirar coisas dos armários – Disse que tinha que tratar de umas coisas antes de vir cá e eu, como burra, deixei-lhe ir… Mas ele vem, prometo.
            Acenando com a cabeça, Saya tirou o pacote de massa das mãos da mãe expulsando rapidamente da cozinha, pedindo para lhe deixar fazer o almoço. Sentia-se muito mais feliz do que deixava os outros ver, tendo os seus pais perto de si mais perto do que pensará que estariam. Ainda mais ia conhecer o seu tio, alguém que sempre quis conhecer. Porém o que a preocupava era o destino dos outros, que sempre desapareciam no momento em que os seus pais voltavam, escondendo-se na floresta. “Espero que estejam bem…” pensou, suspirando ao por a água aquecer, virando-se para a panela com massa queimada sem ter a certeza do que deveria fazer com ela.
            Pegando numa caneta, entrou rapidamente para a sala onde os seus pais sussurravam animadamente. Confusa, agarrou numa folha branca perto da entrada, levando-a consigo de volta para a cozinha. Já era estranho o suficiente eles estarem em casa tão sedo, logo um dia após o seu aniversário, e mais ainda eram as suas caras contentes, que a confundiam vezes e vezes sem conta a medida que tentava decifrar o enigma dos seus desaparecimentos anuais. “Talvez algo bom aconteceu… Bem, já era tempo de variar e tudo mas… É melhor concentrar-me se não teremos mais um acidente em casa.”
            Enquanto cortava a carne, Saya pensava na sua mãe e em tudo o que desconhecia em relação a ela. Saya nunca chegou a saber qual era efectivamente o trabalho da mãe, que preferia manter segredos e desaparecer quando lhe apetecia. A sua mãe era uma mulher baixa mais forte e o seu novo, Misaki, não combinava nada com a sua personalidade. Do seu pai já nem se falava. Sendo médico, era de esperar que as suas notas na escola fossem excelentes e ele tivesse sido um exemplar de aluno, porém, algumas semanas após entrar na escola secundaria, Saya descobriu que o Takeshi, o seu pai, foi meio delinquente e apenas estudava o suficiente para ter positivas. Esse facto sempre a espantará e divertirá, porém talvez fora por isso que a sua mãe acabará por ser uma mulher tão forte, para poder controlar o espírito rebelde do pai. Não que este fosse um exemplar de vida na vida da Saya, acabando de uma maneira ou outra de se portar como um rebelde, mas as suas acções eram sempre justificadas e quando necessitavam dele, este sempre lá estava. “Que par…” Rindo-se dos seus pais, tinha que admitir que o seu par ideal era alguém parecido com o pai, alguém que fosse capaz de a proteger quando ela não pudesse. Suspirando pela terceira vez naquele dia, olhou para o resultado do seu esforço satisfeita. Já ninguém podia dizer que o seu tio ia ter uma má primeira impressão, visto que fez tudo para o impressionar.           
            Guardando os pratos, dirigiu-se para o seu quarto, com o intuito de escolher algo bonito para vestir visto que já faltava menos de uma hora para ele voltar quando reparou nas escadas que brilhavam, novinhas em folha, não conseguindo esconder a sua apreciação. Da próxima vez que os visse teria de lhes agradecer muito, pois era difícil imaginar o que os seus pais fariam se vissem a casa meio destruída. Tinha a certeza que a sua mãe, no mínimo, iria passar alguns dias ao hospital, ignorando o que tinha acontecido depois de voltar. “Bem… tenho que admitir que eles esmeraram-se. Um problema minimamente resolvido, agora só falta a roupa.” No quarto, após fechar a porta, Saya tirou imensos tipos de roupa do armário, rejeitando desde de já os vestidos, sem sequer olhar para eles. As calças também não lhe pareceram muito apropriadas, por isso, pegando numa saia que adorava, agarrou na camisola de alças que condizia com ela, indo a casa de banho para tomar um duche. Realmente era mesmo isso que necessitava depois daquela emoção toda dos últimos dias. Interrogava-se oque estaria o Mark e os gémeos a fazer depois de ela os deixar pendurados assim. Tinha um pouco de medo que a detestassem, porém ela não poderia ter ficado lá mais tempo que ficou, apenar de admitir que a sua saída não foi a melhor de todas. Fechando os olhos a medida que a água quente lhe escorria pelos ombros, pensou em tudo o que aconteceu nos últimos dias. Por alguma razão sentia que não devia sair a noite até que a lua cheia desaparecesse. “Porque será?” Nada fazia sentido na sua mente, que tentava encaixar as várias peças de um puzzle desconhecido a medida que recordava os vários pormenores dos últimos dias. Foi então que se lembrou de ver uma piscadela no atendedor de chamadas automático que, ironicamente, os seus pais não sabiam usar.
            Saindo do banho depois de relaxar, vestiu-se e penteou o cabelo escondendo as madeixas cuidadosamente, esperando que o tio não os visse. Calçando umas sabrinas brancas, olhou para si no espelho já no quarto e suspirou, mudando para um vestido simples brando que ia até ao joelho, suspirando mais uma vez. Parecia que já estava pronta, mas de uma coisa tinha a certeza, nunca deveria levar o convidado ao seu quarto que estava uma bagunça com as roupas todas espalhadas. “Que se lixe.” Pensou, pegando em uns brincos de ouro que os seus pais lhe ofereceram, saído do quarto o qual trancou para ninguém entrar, descendo as escadas com o coração a palpitar. Sabia que ele já lá estava, a conversar animadamente com os seus pais na entrada e parecia que não estava sozinho.
            Chegando-se cuidadosamente até a porta, olhou para a entrada dando de caras com o seu pai que lhe sorriu e chamou, agarrando na sua mão quando tentou fugir. Irritada e envergonhada por ter sido apanhada, Saya saiu do seu esconderijo olhando para as duas pessoas a sua frente com um sorriso.
- Está é a nossa Saya – apresentou Takeshi, sorrindo.
            Porém o sorriso da Saya já tinha desaparecido, substituído por uma expressão de surpresa e incredibilidade.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sakura no Chi chapter 9 part 4

 
    Deixando que Rose lhe tratasse as feridas, o olhar gelado da Saya nunca deixou a expressão sombria do Dark que parecia afundar-se mais e mais nos seus pensamentos. Ela sabia o que ele estava a tentar fazer, a tentar encontrar uma mentira que pudesse explicar o que aconteceu e ao mesmo tempo acalma-la. Porém, ele estava com muito azar naquele dia.
      Logo que as suas feridas desapareceram, Saya virou-se para ele e, fitando-o nos olhos, exigiu a verdade. Estava farta das mentiras e meias verdades que todos lhe costumavam contar. Não era só o Dark. Natsu, Yuki, Rose.... Até mesmo Kaila, que costumava acompanhá-la nas suas maluquices mantinha segredos dela, já para não falar nos seus próprios pais. Naquele dia ela não admitiria mentiras ou meias verdades.
 - Conta.
   Exigiu calmamente, sentada no sofá a olhar para os cinco amigos reunidos. Apesar disso dirigia-se apenas a uma única pessoa na sala, que se destacava não só pela altura, bem como pela expressão sombria.
 - Não há nada para contar. - A voz calma e controlada do Dark apenas serviu para irritar mais a Saya, que se levantou sem tomar atenção aos avisos dos outros.
 - Nem te atrevas! - a sua ameaça não vinha nas palavras, mas sim no timbre da voz A minha casa esta meio destruída e tu queres que eu acredite que nada se esta a passar? Dark, eu já não sou uma menina que não entende nada. Tu sabes que eu nunca o fui... Agora conta. Do inicio!


            A tarde passava lentamente enquanto as paredes da casa destruída eram arranjadas o mais rápido possível. Porem tal, mesmo com o número de trabalhadores já lá estavam, demoraria uns bons três ou quatro dias.
            No jardim, Saya olhava para o por do sol zangada, tentando fazer o máximo para não pensar no silêncio excessivo do Dark e dos outros, pois tal apenas a levaria a ficar mais e mais deprimida. Apesar de não ser a primeira vez, aquele segredos estava a devora-la por dentro, com a curiosidade e a imaginação a correr a mil metros por hora. Um suspiro longo fez se ouvir atrás dela, aparecendo o Natsu cansado e ensonado seguido do irmão que até já dormitava em pé.
 - Venham cá. – Chamou os Saya com um sorriso, reprovando a sua própria estupidez.
            Desde que o seu aniversário começou a aproximar-se, tudo corria para o torto. Primeiro os seus pais, depois aquele estúpido buraco, para acabar em grande com a casa meio destruída. Ela nem conseguia imaginar pelo que passaram os outros cinco, ansiosos e sem saberem onde ela estava ou se estava bem. A ligação que tinha com eles era muito mais forte do que uma simples amizade. Eles iriam ajuda-la sempre que ela necessitava, tal como ela iria o fazer. Se um morresse, todos perderiam uma parte da sua alma. Estavam ligados por sangue, não apenas laços abstractos. Porém naquele momento ela estava a tratar todos como uns traidores, exigindo verdades que poderiam não poder dizer sem sequer preocupar-se com o que estes estavam a sentir. É claro que ela queria saber o que se passava, o grande segredo negro que escondiam dela. Mas a que custo? Eles eram muito mais importantes para ela do que um segredo.
 - Estou a falar a serio. – Sorriu-lhes quando estes a olharam desconfiados. – Todos temos direitos de guardas uns segredos certo?
            Entreolhando-se, os gémeos aproximaram-se e deitaram-se ao pé dela, pondo as cabeças nos joelhos. Encostada a uma árvore, Saya fechou os olhos tal como eles. Por muito incrível que parecesse, também necessitava de descansar. Parecia que as suas forças estavam a ser drenadas a cada segundo mais e mais. Os acontecimentos daquela semana pesavam-lhe na consciência e a única coisa que queria era desaparecer por momentos e esquecer tudo. Lentamente, como nos contos de fadas, as suas preocupações desapareceram e por fim, ela adormeceu.

 -Saya, querida, acorda.
            Chamou-me alguém vindo da luz. Eu conhecia aquela voz, era a voz da minha mãe que eu tantas vezes já ouvi. Era estranho, a esta hora ela devia estar a trabalhar e não a tentar acordar-me.
 - Não mãe… quero dormir.
 - Querida, esta na hora de acordar…
            Agora era o pai. Mas eu queria dormir tanto…”Porque é que eles não me deixam dormir mais um pouco. Só mais uns minutos seriam o ideal… Aposto que o Mike irá rir-se de mim se eu não acordar.”
            Abrindo os olhos, a luz do sol cegou-me por uns instantes até que eu reconheci aquele lugar. Eu não estava em casa. Estava no jardim do tio. Olhando a volta rapidamente, vi que a mãe e o pai também lá estavam, bem como o Mike com um sorriso malandro e os seus dois irmãos. O tio e os amigos do pai também se encontravam no jardim. Por momentos senti-me envergonha. Todos olhavam para mim com sorriso porém eu nem sabia porque o faziam. “Será que estou d pijama?” Essa era uma possibilidade bem provável, visto que estava a dormir alguns momentos. Olhando para baixo sobressaltei-me. Afinal de contas não estava de pijama mas sim de um kimono vermelho. Aposto que foi o tio que deu. Ele adora dar-me prendas. Mas assim falta uma razão para todos olharem para mim. Se não estava de pijama, então era uma festa qualquer… mas qual?...
            Antes de ter tempo para pensar melhor, todos exclamaram em uníssono.
 - Feliz aniversario!!!!”
           

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sakura no Chi chapter 9 part 3


  A escuridão puxava a consciência da rapariga para as profundezas, escondendo-a da dor e do sofrimento por de traz de enormes cabelos negros, cobrindo a entrada da luz. Esta já nem sequer estava a lutar contra a sua captora, ansiando pelo esquecimento e inconsciência que lhe trariam paz de espírito mais uma vez. As águas profundas seguravam-na delicadamente, levando-a para o infinito.
  “Saya” Uma voz estranha chamou da superfície, tentando alcançar as profundezas. Algo agitou-se na água mas não era o suficiente para acordar a bela adormecia. “Saya, volta.” Uma voz meio chorosa puxava-a para cima, impedindo o seu esquecimento. “Estamos a tua espera, princesa.” Mais uma vez, a rapariga agitou-se, abrindo os olhos no meio da escuridão a procura da luz. Sabia que devia estar muito perto, mas onde? Era difícil o suficiente manter os olhos abertos, quanto mais raciocinar devidamente. Uma por uma, as cores até ai esquecidas começaram a aparecer, porém estavam erradas. A rapariga lembrava-se daquela paisagem. Tinha a visto alguns dias atrás, com as enormes árvores a crescer para o céu e a amigável cidade medieval com as suas cores castanhas e amarelas. Porém o vermelho era a cor predominante. O que devia ser verde ardia com pinceladas de laranja e vermelho, enquanto as paredes da antiga cidade reflectiam o terror do vermelho escuro do sangue. “Saya, foge! Foge!” Alguém gritava, escondido da sua vista.
  Um puxão da cabeça foi o suficiente para gelar. A sua frente, um enorme dragão de fogo erguia-se pelo céu escuro da noite, pintando-o de vermelho e roxo, enquanto lançava fogo a tudo o que o rodeava. “Corre!” Mais um grito conhecido chamou-a, obrigando-a a virar-se mais uma vez.
  Um grito mortífero fez se ouvir pela planície, gelando as suas veias. Ela conhecia aquela voz, conhecia-a bem de mais. Os olhos demoraram segundos a focarem-se, varrendo o que restava do verde sem demoras, até encontrar o que procurava.
  No chão, deitado no chão a esvaziar-se de sangue estava o Dark, de olhos fechados e com uma espada vermelha cravada no seu peito. Correndo até ele sem tomar atenção a nada, ela sentou-se nervosa, tendo medo de ele já ter morrido. “Fica comigo…” Uma voz de criança rompeu o silêncio, enquanto lágrimas salgadas percorriam silenciosamente as suas faces, seguidas de soluços e lamentos. “Tu desses-te que ficavam comigo para sempre! Não mintas!” As mãos estranhamente pequenas moveram-se até a espada agarrando-a, sem saber o que fazer. A rapariga tremia sem parar, esperando ela sua resposta. Ele não podia morrer, não depois de a ter encontrado.
  Porém o silêncio manteve-se, interrompido apenas pelo chiar do vento e o murmurar das ervas em sofrimento. “Sa…ya…” Os olhos azul-escuro abriram-se, brilhando por uns momentos, escondendo o seu sofrimento, até que a cor desvaneceu. O brilho foi-se e a sua cabeça tombou para o lado.
   “Não, não, não, não…” Pensava a rapariga, já sem se conseguir controlar. Alguém se aproximava dela, murmurando palavras incompreensíveis, chamando-a pelo seu nome. Mas estes não lhe importavam. Tinham-no morto, tirado a sua vida sem mais nem menos, arrancando-o da sua vida. “Não… Não vou perdoar…” Fulminando os recém-chegados com o olhar, incendiou as suas roupas e a pele, deixando de ouvir os sues gritos de socorro.
  Ela sabia o que fazer. Não o podia deixar morrer sem mais nem menos, não depois do que ele tinha feito por ela. Inclinando-se levemente até tocar na sua cara, ela começou a sussurrar palavras sem sentido, numa língua diferente e antiga que já ninguém sabia usar. O seu cabelo começou a brilhar, mais brilhante que as estrelas ou a lua. Um fio de sangue tocou nos lábios dele, originando da sua mão cortada.
 “Volta, Dark…” chamou, beijando-o.

  Um toque frio e desconhecido chamou a atenção da Saya inconsciente, que tentava ao máximo não acordar para não se deparar com a dor. Alguém a chamava, insistindo em faze-la voltar ao mundo dos vivos. Não que ela estivesse morta, estava bem viva até, mas no momento em que se voltaria a focar, toda a dor que tentava evitar voltaria a ataca-la violentamente, sem nenhum receio de a fazer chorar.
  Porém, as mãos geladas eram demasiado insistentes, irritando-a ao chama-la a razão.
 - Calem-se mas é! – gritou de repente, levantando as constas do sofá no qual se deitava – Que tal darem-se mais alguns segundos? Não sou masoquista, sabiam?
  A sua voz forte e irritada fez sorrir as cinco pessoas que a olhavam preocupadas, ansiosas pelo seu regresso. Tal como Saya esperava, a dor veio sem avisar, atacando as suas costelas e o braço esquerdo. Arquejando de surpresa, a mão direita vou até ao estômago, tentando impedir a si mesma de se dobrar. A Rose correu em seu auxílio, dando-lhe um comprimido branco que a forçou a engolir sem mais nenhuma palavra. Como por magia, a dor desapareceu momentaneamente, deixando-a respirar em paz.
 - Meu deus, o que aconteceu? - perguntou, ignorando a pequena bruxinha que lhe observava o braço.
  A sua memória estava incrivelmente vaga e os pormenores escondiam-se por de traz de uma enorme cortina pesada de medo e insegurança. Uma sombra passou pelos olhos do Dark que a observava, ansioso por sair daquela casa a procura does responsáveis pela destruição. Aquilo não foi meramente um acaso, ele sabia isso, tal como todos os outros. Apesar de tentarem manter a Saya na ignorância, protegendo-a dos perigos, ela parecia sempre saber se algo se estava a passar. E aquele dia não era uma excepção.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sakura no Chii chapter 9 parte 2

 
   Primeiro caiu o chão. As escadas  foram seguintes, caindo como domino, uma atrás de outra. A parede, uma parte do teto, seguiram-se, juntamente com todos os objetos guardados na arrecadação. Destruição e terror giravam na casa. Os bocados de cimento e madeira embatiam no chão ruidosamente, ofuscando os gritos de medo e socorro da Saya que se encolhia por entre os destroços, depois de subir rapidamente pelo que restava das escadas, tentando proteger-se do perigo. Os sentidos já nem respondiam como devia ser. O terror e o medo invadiam-na por todo o lado enquanto esta fechava os olhos para não ver nada a sua volta. Não ouvia nem um som com os ouvidos afetados pelo ruído do desabafamento da casa. Só queria sair dali.
 Os minutos bem podiam ser horas ou anos, mas por fim a destruição parou o suficiente para esta entender isso. Abrindo os olhos, o pó voou como vento até estes, forçando-a a fecha-los o mais rápido que conseguia, movendo a mão até ao seu nariz. A poeira parecia um inferno nos seus pulmões, dificultando a respiração o mais que conseguia. Parecia que já não existia mais oxigénio naquela divisão destruída. Os cinco sentidos dos quais os humanos tão dependiam eram-lhe negados a todo o vapor. Desde o olfato até a audição, nada funcionava expecto o gosto, sentindo a poeira na língua pesada. Poderia até ser sangue misturado com poeiras... não se lembrava se o latejar na língua era do impacto ou dos seus dentes... Tentando por-se de pé, embateu contra algo por cima da sua cabeça, caindo no chão com um estrondo que os seus ouvidos não chegaram a ouvir. O zumbido constante lembrava-lhe os chatos incestos que a adoravam rodear durante o verão e sugar-lhe o sangue, porem esses não lhe provocavam tanta dor de cabeça. Sentindo que não podia fazer nada, o desespero invadia ainda mais, sugando-lhe o resto da esperança. Sentia que se esquecerá de algo muito importante, mas a sua situação não lhe permitia muita reflexão própria.
 Abrindo os olhos devagarinho, já não os fechou mais. A destruição foi a única coisa que viu. Olhando para baixo agradeceu aos deuses desconhecidos. Estava sentava a milímetros do precipício que outrora foram as suas escadas. "Oh meu deus..." sentia as lágrimas a chegar aos olhos, porém não lhes iria permitir chegar mais longe que isso. Doía-lhe  o corpo todo, desde a cabeça até aos dedos dos pés cortados. Os joelhos latejavam em conjunto com as mãos que levou a cara para limpar um pouco de pó, ficando com o sangue todo em cima de si. Acreditava não morrer por causa de nenhuma das suas feridas, só que a dor era meio insuportável.
 - Saya! - alguém chamava-a ao longe, atrás de si. - Saya!
 Alguém chamou-a outra vez. Era tão longe e tão distante a voz. Desejou que a deixassem em paz por momentos, porem ao virar a cabeça lentamente, deu caras com o Dar que a olhava preocupado. Mais uma vez, Saya estava sem palavras. Pela primeira vez via uma emoção tão forte na sua cara que sempre se mantinha inflexível não importa as circunstancias. Era bela, mesmo com o medo todo refletido nela.
 - Dark... - chamou, levantando a mão para acaricia-lo com um sorriso séptico na cara, desmaiando no momento seguinte.
 - Saya! Saya!  - Dark chamava precipitadamente, ignorando o sangue leve que ficou na sua face.
 - Calma. - Rose apareceu por de traz dele, indo logo ajudar a Saya - Ela só desmaiou... Tens que ficar calmo e deixar-me trata-la. Vai descobrir quem fez isto ou encontrar alguém para arranjar esta confusão... - um suspiro logo fez se ouvir dos seus lábios de criança - Parece que vamos ter de nos mudar... mais uma vez.

 "Tens a certeza que é isto que queres? Eu podia dar-te tudo! O meu amor, o meu dinheiro... a mão de quem amas, um castelo, uma vida eterna... Responde-me! Sakura! Não não vás! Responde! Sakura!"

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sakura no Chi chapter 9 parte 1

Saya -parte 1

 Os cobertores cobriam o corpo frio e frágil da rapariga que dormia sossegada na cama pequena, sem sonhar com nada, sem prensar em nada... apenas a dormir. Os seus cabelos longos misturavam-se uns com outros, cobrindo a cara aleatoriamente da rapariga enquanto esta repousava na almofada. O silencio era por vezes interrompido pelos pássaros que piavam em frente ao quarto, mexendo as suas asas com o passar do vento, desfrutando a leve brisa da manhã enquanto os gatos banhavam-se nos raios solares, murmurando palavras de afeto uns aos outros, felizes pela manhã calma e quente.
 O quarto mantinha-se quieto e estático, sem movimento algum. Se não fosse o leve respirar da rapariga, podia-se pensar que ela estava morta, de tão quieta que estava. Até parecia que o ambiente gelou, parou tempo. Até que a porta fechada abriu-se, entrando alguém de mansinho, tentando não fazer nenhum barulho para não acordar a rapariga da qual aproximava-se em bicos de pés, que dormia sossegada não prestando atenção a nada a sua volta, como se isso não existisse. O estranho recém-chegado, aproximando-se muito mais da cama, deitou-se ao seu lado, afastando uns cabelos do ouvido para poder sussurrar enquanto abraçava a rapariga sem qualquer aviso.
- Bom dia dorminhoca.- um sussurro foi o suficiente para acordar a rapariga, alerta a tudo.
 Rolando para o lado, o estranho conseguiu evitar um ponta-pé vindo de baixo, uma tentativa que a rapariga sonolenta fez para atacar o seu agressor. Logo depois, levantou-se, ficando a olhar para os lados, a procura muito espantada.  Foi então que um riso proveniente do lado da cama chamou a sua atenção.
  - Apanhei-te! - afirmou Rose, sorrindo, ajeitando o seu vestido enquanto se levantava. - Devias ter visto a tua cara.
 - Sua... não podias ter-me acordado normalmente? - queixou-se Saya, caindo na cama sem forças - Tens mesmo uns métodos estranhos... - acrescentou.
 Rose, sorrindo, agarrou no seu braço e deu-lhe um beijo na face com carinho. Não era a sua intenção te-la assustado, apenas queria surpreende-la, mas com o que se tinha passado no dia anterior, não questionou a sua reação. Pedindo desculpas, sorriu mais uma vez e dirigiu-se para o armário, de onde tirou um curto vestido verde claro simples, sem alças, afirmando aquele dia ser muito mais quente do que o habitual. A Saya nem sequer discutiu, apesar de não gostar de utilizar vestidos. Rose tinha sempre razão no que tinha a haver com o tempo, sendo ela a sua própria estação meteorológica que nunca falhava, nem uma só vez. É claro que a sua companhia tinha mais vantagens, como o facto de ela saber sempre o que dizer para acabar com uma atmosfera depressiva ou tomar sempre iniciativa de ajuda-la, mesmo quando os outros rejeitavam a sua ideia. Suspirando, Saya vestiu rapidamente o que lhe foi dado, sentando-se na cama enquanto a sua ajudante de um metro e meio brincava com o seu cabelo, justificando que estava apenas a tentar escolher o penteado ideal para aquela tarde. Duma coisa Saya estava certa depois de a conhecer durante todos aqueles anos, Rose era maníaca por cabelos longos. Desde tranças até quem sabe o que, a sua imaginação não tinha limites nesses aspeto.
 - Perfeita! – afirmou depois de uns bons dez minutos. – Assim estas perfeita!
Dando um salto para fora da cama, esperou que a sua vitima olhasse para o espelho, sorrindo com a expressão de assombro e adoração que esta exprimiu. Na verdade, o penteado era bastante simples de fazer. Apenas eram necessário ter um cabelo longo, ganchos e uma flor clara. Depois, apenas agarravam tudo e brincavam durante tempo suficiente. Era essa a sua tática e nunca a tinha falhado. Um cheiro a ovos cozidos e panquecas acordou o estômago dormente das duas, que se riram com o roncar do mesmo, dando as mão e saindo do quarto antes que alguém tivesse tempo para subir as escadas e as chamar, o que devia ser o plano, pois encontraram o Dark no meio das escadas, já pronto para gritar.
 - Já estamos aqui. – Anunciou Rose, mostrando a língua ao rapaz.
 - Consigo ver isso. Ainda não sou sego.
 A voz irritada do mesmo baralhou um pouco a Saya. Era habitual que ele não fale muito, especialmente a frente dos outros, mas ele sempre mantinha uma cara neutra, não importa o que. Até ela só tinha o visto irritado uma vez. “Uma estreia..” pensou, interrogando-se o que o tinha posto tão carrancudo. Só que aquele não era o tempo para perguntas, pois ninguém a iria deixar pensar em paz.
 Entrando na cozinha, ela foi surpreendida por um enorme grito de “Surpresa” e “Parabéns”. A mesa já estava posta e um enorme bolo branco encontrava-se no meio de tudo, com velas de números 1 e 6 em cima deste, já acesas. Alguém pediu-lhe para as apagar, pelo que aproximou-se da mesa, sorrindo. Era o seu dia de aniversario, o dia que todos esperavam, por várias razões diferentes. Já há semanas que sonhava com este dia, mas como sempre faltavam dois elementos que apareciam nos seus sonhos anualmente, mas nunca na realidade. Sorrindo ainda mais, Saya fechou os olhos e pediu um desejo, esperando que ninguém conseguisse advinha-lo, apagando as velas o mais rápido que pode. Mais uma salva de palmas encheu a cozinha e ele foi rodeada por imensos abraças vindos de todos os lados.
- Vamos cortar o bolo… - sussurrou alguém, já com a faca na mão.
 Devia ser o Natsu. Ela não conseguia ver muito bem pois este estava do outro lado da mesa, mas ele sempre adorou os bolos e doces, enquanto o seu irmão detestava e mantinha-se o mais afastado destes. Ao cortar o bolo, ela realmente não conseguia deixar de sorrir. Adorava passar o aniversario com eles, pois tornava-o especial, importante. Muitas vezes recordava-se como era passa-lo sozinha, contudo ela não iria pensar nisso naquele dia. Era um dia de celebração, tanto para ela como para todos os outros. Era mesmo um dia especial.

 "Saya! Saya!" Alguém chamava por entre o vento feroz do Inverno que arrancava as folhas das árvores negras. "Vem...vem..." A menina de cabelos pretos olhava a sua volta. Estava perdida, sem saber por onde deveria ir para chegar a casa. O pesado nevoeiro cortava-lhe a visão, impedindo-a de ver algo para alem do que se encontrava a sua frente. Já não usava o quimono de antes mas sim um pequeno vestido preto que lhe tinha sido dado. Mais uma vez era o seu aniversario mas a lua não apareceu. Estava a espera dela por tanto tempo, só que esta quebrou a sua promessa. "Vamos Sakura." afirmou, levantando-se do chão no qual se tinha sentado, caminhando pelo caminho repleto de folhas de cerejeira que lhe mostravam o caminho."

 A Saya dormia mais uma vez por baixo da árvore que tinham no jardim, como tantas vezes já o tinha feito antes. O céu azul da manhã foi substituído por tons alaranjados do por do sol, indicando a altura para a note chegar. As nuvens erguiam-se no céu como pássaros, voando o mais rápido que lhes era permitido seguindo o vento suave do sul, que lhes prometia terras mais quentes. "Que bonito.." pensou Saya, lembrando-se do sonho. Seria mesmo um sonho ou uma lembrança? Não podia responder a isso mas sabia que o nome, Sakura, era lhe familiar, muito, muito familiar. Levantou-se do chão ao som da voz da Kaila que a chamava para tomar um chã com todos os que estavam acordados. Os gémeos dormiam sossegados na sala de estar. Depois do Dark ter ralhado com eles por brincar com a comida, foram dormir meio resignados deixando os mais velhos tratar da limpeza. Até Rose se tinha esgueirado só para não lidar com a confusão, arranjando uma desculpa esfarrapada e fugindo a sete pés. Apenas os mais velhos ficaram, tomando naquele momento um chá de camomila relaxante quando Saya se juntou.
 - Conhecem alguém chamada Sakura? - perguntou pegando na chávena.
 - Quem? - interrogou Kaila, enquanto Dark tossia repentinamente.
 - Sakura. Conhecem alguém chamado Sakura?
 - Temo desiludir-te mas não conheço... é alguma das tuas amigas?
 - Não.. esquece...
 Sorrindo, bebeu o seu chá ainda a olhar de lado para o rapaz. A sua reação tinha sido suspeita, muito suspeita, só que Kaila parecia muito sincera e não queria nada desconfiar deles sem ter qualquer prova. Ao acabar de tomar o chã, levantou-se repentinamente dirigindo-se ao seu quarto. Não entendia porque mas estava com muito sono. Era assim sempre durante o seu aniversario. Mas não ia dormir naquele dia. Durante anos tinha esperado por aquele acontecimento e não ia desperdiça-lo facilmente. Seria lua cheia, tal como no dia em que nasceu.
 Ao subir as escadas, reparou que algo estranho se estava a passar fora de casa. As árvores, geralmente calmas, agitavam-se violentamente apesar de não existir nenhum vento. Os cães ladravam fortemente, tentado escapar das suas casas. Segundos depois, a razão foi revelada. Um terramoto enorme atingiu a casa da Saya, destruindo a sua casa sem qualquer remorsos.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sakura no Chi chapter 8 parte 3

Mike - Parte3

 Noite envolveu a terra mais uma vez, silenciosamente como uma cobra a rastejar até a sua presa. O mundo silenciou um pouco, dando lugar as vozes das florestas e dos animais, silenciosamente conversando no escuro,invisíveis aos olhos tolhidos dos seres humanos ignorantes e arrogantes. Mas nem todos eram assim.
 Dentro de um quarto escuro, três rapazes esforçavam-se o mais que conseguiam para chamar os espíritos dos animais que por ai passavam, com esperança de estes conseguirem solta-los das cordas que os amarravam e tolhiam-lhes a vista, sem lhes deixarem mexer-se nem um milímetro. As cordas não pareciam normais, pelo modo como não cediam a nenhuma das suas tentativas de as romper, mas também não eram de nenhum metal, pois o seu toque na pele nua era suave e quente, podendo até ser reconfortante se não fosse a força com a qual atava os rapazes. Um por um, estes foram acordando aos poucos, mesmo da noite chegar, mas como o quarto no qual se encontravam não tinha janelas abertas, estes ficaram na escuridão até que ouviram o leve piar do mocho, que indicava a chegada da noite a terra.
 "Temos de sair daqui!" pensou um deles, dando um salto para cima, esperando que algo acontecesse. Foi mais do que estúpido o seu ato, pais não só não serviu de nada, também o levou a magoar-se. "Tenho a certeza que vou ter uma nódoa negra depois disso...2 pensou, sem poder expressar a sua dor verbalmente. "Isto é tão irritante." Se ele pudesse sacar a sua arma, já há muito tempo que teriam saído dai mas quem quer que os tenha raptado já tirou todas as armas que este possuía. "Bolas!"
 O tempo passava devagar, sendo que os minutos pereciam horas e as horas séculos. Já nenhum dos três prisioneiros tentava escapar, sabendo que era impossível. Os animais não se aproximavam daquele lugar, temendo-o, e até quando os três os chamavam com uma intensidade quase impossível de resistir, estes não lhes ligavam nenhuma, como se já estivesses sob comando de alguém. Os prisioneiros, resignados com a sua sorte, esperavam até que os seus captores chegasses e lhes explicassem o que estavam lá a fazer. Era mais do que óbvio que não foi apenas uma pessoa a atuar durante a captura. O mais velho estimava pelo menos quatro pessoas, só que não tinha a certeza, pois quem sabe quantas mais pessoas podiam estar envolvidas nisso. Os habitantes do seu mundo raramente iam para a terra. Apenas os qualificados eram enviados para recuperar almas ou destruir alguns dos monstros, mas estes voltavam logo a seguir da sua missão. Era visível pelo descontentamento dos mais velhos que não foi sempre assim, que apenas recentemente as regrar mudaram, mas ao Mike apenas interessava a cidade em que se encontravam naquele mesmo momento. "Será que foi por causa disto que não somos mandados para estes lados?" interrogou-se, ainda sem poder falar ou sussurrar. Isso poderia explicar o facto de ninguém ir ali mas não explicava a falta de registos. Antes de sair, Mike visitou a o quartel para ver alguns dos registos, esperando encontrar a rapariga, mas não encontrou nada sobre a cidade, parecia que alguém levou a informação de propósito e não deixou nem um rasto dela.
 Já sem paciência nenhuma, Mike tentou não pensar, pois fazia-o sentir ainda mais impaciente que o habitual. Voltando a contar os segundos mentalmente, ele esperou mais um pouco. "Eles dever vir daqui a nada..." afirmou a si próprio, tentando convencer-se disso. Tinha a certeza que os seus irmãos também o estavam a fazer.
 Após mais uma meia hora de espera, uma porta abriu-se do nada, deixando entrar luz no quarto escuro que afinal era uma cave, recheada de várias caixas fechadas castanhas escuras e alguns brinquedos de criança já muito velhos e gastos, parecendo já ter imensos anos para traz. Umas escadas levavam para a saída e, mesmo ao lado destas, havia uma pequena janela fechada, impedindo a entrada de luz do exterior para dentro. Sem ver nada, os três rapazes ficaram quietos a ouvir um grupo de cinco pessoas a descer as escadas devagar e calmamente, como se o que estava a acontecer era tão natural como ir almoçar ou dormir. Um por um, os recém chegados desceram as escadas e rodearam os três rapazes deitados no chão. Parecia que um deles se estava a rir... ou então eram dois. Mike não conseguia deixar de se sentir incomodado com a presença deles. Não só era incomodativo não ser capaz de os olhar para os olhos, como também sentia a presença de um monstro e de alguém do mundo deles. O problema é que não conseguia acreditar em si próprio, pensando que alguém lhe estava pregar uma partida.
 - Que fofos! - exclamou uma voz extremamente familiar, rindo-se baixinho - Já vos tiro as vendas. Esperem mais um bocadinho, está bem?
 Algo quente e suave tocou na cara do Alex, tirando-lhe a venda levemente e devagar. Antes que este se habituasse a luminosidade intensa, as mãos já desapareceram, indo libertar os outros das vendas. Mas isso não foi o suficiente para os rapazes não entenderem quem é que os tinha libertado. Era a Rose, a mesma rapariga que tinham encontrado na floresta e que tinha ficando com eles durante a noite a conversar... e pelos vistos a mesma que levou a eles serem capturados por estranhos.
 - O que é que tu queres de nos? - interrogou Mike, sem esperar para lhe ser retirada a venda.
Ele estava mais do que chateado. Tinha acreditado nela mais ou menos e isso apenas serviu para ser capturado. Rose, desatando a sua fenda, tirou as cordas que os prendiam, indo ter com o resto do grupo sem pronunciar nem uma palavra, como se não quisesse estragar a surpresa. Mexendo-se um pouco, gratos pelas cordas seres retiradas, o Mike e os seus irmãos olharam para o grupo de cinco que estavam ao pé das escadas. Este era formado por duas raparigas e três rapazes. Durante alguns segundos estes não foram capazes de pronunciar nada enquanto observavam os quatro estranhos. Todos eles vestiam roupas brancas e tinham umas madeixas no cabelo mais ou menos parecidas, o que só servia para desconcentrar os irmãos ainda mais.
O Eric foi o primeiro a recuperar do choque e desviou o olhar o mais rápido que conseguia. Doíam-lhe os olhos só por olhar para as suas auras. Cada "Ignora isso... ignora..." afirmou mentalmente, puxando a Alex para o chamar a realidade.
- Posso saber o que vocês querem de nós? - interrogou, ignorando a Rose. Já sabia que ela não era de confiança. - Nós não vos fizemos nada e vocês raptam-nos assim do nada?
 A mulher mais velha e morena riu-se um pouco, observando o Eric de perto.
 - Eu gosto dele. Posso brincar com ele um pouco mais tarde? - interrogou a alguém, olhando-o de perto.
 Engolindo um seco, Eric fingiu que ela não ouviu nada. Era a melhor maneira de tratar as mulher naqueles caos, ou pelo menos ele pensava assim.
 - Kaya, controla-te!- exclamou o rapaz de cabelo escuro. - Nós apenas queríamos falar com vocês...
Espantados, os irmãos entre olharam-se, confusos.
 - Queríamos formar uma aliança. - afirmou Rose, sorrindo.