segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sakura no Chi chapter 7 parte 4

A Saya estava fula. Esperava que eles ajudassem-na mas não dessa maneira. Todos seguiam a mesma regra: Não matar. Apenas em situações especiais, quando Saya não estava, eles eram autorizados a tomar as suas próprias decisões. É claro que nessa situação não tinha muito a dizer mas não queria causar problemas nem aos gémeos nem ao Mike.
 Suspirando, Saya aproximou-se do Dark e olhou para a sua cara. Tinha o mesmo corte que ela mas mais longo e profundo, o que incomodava-a bastante.
 - Rose. – chamou, apontando para a face do rapaz.
 - Saya! Tive tantas saudades. – exclamou a rapariga, correndo para ela e abraçando-a, sem prestar atenção a expressão do Dark.
 - Cura-o. – pediu calmamente, afastando-se depois de dar um beijo leve na face da rapariguinha.
 Saya não gostava de ver sangue. Não… não que não gostava, detestava, no puro sentido da palavra. Olhar para sangue fazia-a sentir estranha e isso incomodava-a bastante. Até mesmo com aquele pequeno corte era a mesma coisa. Suspirando, Rose corou-o rapidamente. Era essa a sua especialidade – cura e poções. Estava danada com o Dark por causa do plano que este arranjou, mas tinha que admitir que valeu a pena só para ver a Saya tão rapidamente e vestida com um quimono vermelho. Todos achavam isso, até mesmo os gémeos que se entretinham a desenhar caretas nos guardas inconscientes, depois de os ter alinhado por ordem de altura.
 - Temos que nos despachar. – afirmo Kaya, aparecendo de repente com mais dois guardas – Algum notou que algo se esta a passar.
 - Concordo… – Afirmou Dark, virando-se para os gememos – Parem de brincar e venham todos para aqui. Não temos muito tempo.
 A Lua estava escondida por de trás das nuvens, escurecendo tudo na superfície. Aproximando-se rapidamente, Saya agarrou as mãos dos gémeos, ficando a espera. Viu Rose a accionar um mecanismo qualquer. Suspirando levemente, ela ficou a espera, atenta a tudo, quando alguém apareceu a correr. Virando-se, ela vislumbrou a figura de três rapazes a aparecer. O Mike, Eric e Alex, respirando rapidamente e com alguma dificuldade, olhavam para a cena com os olhos abertos de surpresa. “Foram a minha procura…” pensou, rindo-se perante o quadro que se estava a formar.
 - Eu disse que me vinham buscar, não disse? – perguntou, espantando-os ainda mais – Não se preocupem, eles estão vivos.
 - Saya, temos que ir. – declarou Rose, ignorando os três estranhos com uma cara irritada.
 - Adeus! – exclamou Saya.
 Mike e Eric começaram a correr, tentando apanhar a sua mão mas os seus dedos apenas apanharam o ar. Saya e os outros desapareceram num feixe de luz intensa, como se não passassem de uma ilusão

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sakura no Chi chapter 7 part 3

 Mike ainda olhava sobressaltado para o sangue que lhe escoria lentamente pelo dedo. Não que fosse a sua primeira vez ver sangue. Ele estava habituado a morte e não tinha problemas com isso. O que o espantou e assustou um pouco foi o modo como o corte apareceu e a reação da Saya perante isso. Abanando levemente a cabeça, ele e os gémeos levantaram-se.
 - Pedimos desculpa. Vamos busca-la. – declarou Mike, saído, escapando ao olhar interrogador de todos.
 Eric, Alex e Mike separaram-se, indo a procura da< rapariga. Era uma falta de respeito sair a correr no meio de uma reunião, ainda por cima sem se explicar. Mike não conseguia entender como ela se cortou mas entendeu, pela sua reação, que ela sabia a razão para tal. Correndo rapidamente, ele parou quando viu as sandálias usadas por ela no chão. “Ela passou por aqui… com pressa.” Conclui, pegando neles e recomeçando a sua corrida, duas vezes mais rapidamente.




 Eric e Alex moviam-se silenciosamente, observando o jardim e os quartos exteriores. Tinham a certeza que a rapariga não se ia aventurar pelos quartos interiores. Parecia inteligente, não só pelo modo como consegui não meter-se em problemas durante o jantar mas também pelo modo como ela conseguiu lidar com o Mike, Era raro ele mudar de opinião assim tão facilmente especialmente depois de decidir que ia matar alguém. Mas ela não só o fez mudar de ideia como também fez com que ele fique interessado por ela, ajudando-lhe. Foi tão estranho vê-lo pegar nela e leva-la apara casa, dizendo que ela era sua convidada. Os dois gémeos tinham que admitir que algo nela atraía as pessoas. Ao contrário do habitual, eles sentiam-se relaxados ao pé dela, apesar de ela ser uma estranha. Aos seus olhos, ela tinha uma aparência um pouco frágil. Não era só a sua aparência física que os espantava. O seu modo de falar, de se comportar… era tão estranho. Ela parecia uma caixinha de surpresas, No início, eles pensavam que ela ia fugir do Mike quando este ameaçou mata-la. Não estavam nada a espera que ela começasse a discutir logicamente com ele Depois, em vez de gritar e tentar escapar, ela segui-os normalmente, acreditando que eles não lhe iriam fazer ma nenhum. “Ela é demasiado ingénua.” pensou Eric, segundo o seu irmão de perto, No final, ela acabou por fugir mas não a maneira como ele esperava. “Como será que se cortou?” penso, analisando a situação. Não via um meio como tal podia ter acontecido, visto que ela estava tão espantada como eles quando viu o sangue, mas, ao contrário de todos os outros, ela sabia o seu significado. “Isto é mau…” pensou mais uma vez, fazendo sinal ao irmão para acelerar. Toda aquela situação não batia certo. Mal ele sabia como próximo da verdade estava.



 A entrada estava silenciosa, mas os guardas mantinham-se em alerta. Naquele dia, dos que guardavam, três eram os mesmos que a quase 16 anos atrás. Ainda não conseguiam desculpar-se por ter deixado o assassino entrar na casa. “Não vamos falhar.” Pensaram os três, mais alerta do que nunca. Mas, mais uma vez, o ataque veio do nada, cinco vezes mais forte. O silêncio da noite foi interrompido pelo som das espadas a colidir umas com outras. Os guardas saltaram para o meio, onde havia mais luz, esperando pelo próximo ataque. Um deles tinha a espada tingida de vermelho, mas apenas na ponta, pelo que o inimigo só foi ferido superficialmente. Os inimigos atacaram rapidamente, desferindo golpes precisos, sem dar tempo aos outros para atacarem. Então, um dos três agarrou no braço do homem que estava a ataca-lo. Tinha esperanças que isso desse tempo aos outros de o cercarem. Mas o que viu chocou-o tanto que deixou cair a mão.
 - És tu! – exclamou.
 Foi ele que destruiu tudo. Os seus sonhos, os sonhos da pessoa que tinha que proteger. Foi ele que roubou a princesa que os três guardas tinham que proteger. O demónio de olhos escuros sorriu em sinal de reconhecimento e levantou a espada. “Mais uma vez, não consegui proteger ninguém..” Pensou o homem, fechando os olhos.
 - Dark, não! - gritou alguém.
 A espada parou mesmo ao lado da garganta do homem. Este ainda conseguia sentir seu toque gelado, mesmo depois do Dark retirar a espada. Caído para o chão, o homem olhou a sua volta. Todos os outros guardas estavam no chão, sem sentidos.
 - O que é isto? -interrogou a mesmo voz feminina que fez com que o Dark parasse. – Eu pensava que não vos tinha autorizado a matar ninguém!
 - Eu não ia mata-lo. – mentiu Dark sem qualquer problema, afastando-se cada vez mas, com um sorriso maroto.
 O homem não sabia o que pensar. Uma rapariga conseguia controlar o assassino procurado durante anos. Já sem forças, ele olhou mais uma vez para cima, na esperança de ver que era essa rapariga, mas não estava nada a espera de ver o que viu. “Princesa.” Pensou, antes de desmaiar.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sakura no Chi chapter 7 part 2


 


  Um pouco irritada com a sua reacção, Saya apressou-se a seguir os gemes, caminhando a sua frente. A dor era mais tolerável que antes mas a rapariga tinha que se concentrar para não perder o fio da conversa que os rapazes estavam a ter. Não sentia hostilidade por parte de nenhum deles, o que era relaxante e, apesar de saber que tinha que fugir o quanto antes, não se importava de ficar naquele lugar mais um bocadinho. Era um pouco estranho, mas até aquele momento, ninguém lhe tentou fazer nenhum mal. “Despacha-te Dark.” Pensou, olhando para a noite esperançosa.
 Na sala, os lugares já estava, quase todos ocupados. O homem de cabelo escuro sentava-se ao pé da parede, virando para a entrada, logo no meio. Os outros quarto sentaram-se ao seu lado, dois de cada lado. Saya não conhecia ninguém mas Mike conhecia-os a todos. No total, haviam 12 pessoas na sala, incluindo a rapariga, o Mike e os gémeos, e dois lugares, ao lado do homem de cabelos longos, estavam desocupados. Saya sentou-se no lugar mais perto da porta e Mike sentou-se logo ao seu lado, seguido dos gémeos. Ela conseguia sentir o olhar inquiridor de todos os presentes, mas em vez que responder as suas perguntas silenciosas, manteve-se calada, olhando para baixo. Era mais seguro do que levantar os olhos e deparar-se com uma cara desconhecida que a examinava. Depois de um silêncio ligeiramente longo, o homem de cabelos escuros levantou-se e falou.
 - Obrigada por reunirem-se aqui hoje. Infelizmente, nenhum dos dois convidados ainda chegou, pelo que vamos ter que começar sem eles. Acho que entendem a posição em que eles estão e, no caso de dificuldades, ajudem a convencer os anciões…. É tudo.
 As suas palavras eram estranhas mas revelavam a autoridade que ele tinha perante os outros. Ele levantou o copo e bebeu, tal como todos os outros. Até as mulheres beberam. Mas Saya manteve-se igual, até que reparou que todos a olhavam. Confusa, observou a sua reacção e suspirando, bebeu o que estava dentro do copo. Para seu espanto e desapontamento, era álcool. Sem qualquer aviso, Saya começou a tossir. Não era nada resistente ao álcool e detestava todas as vezes que era obrigada a beber. Espantados com a sua reacção, todos começaram a rir-se. Uns mais discretamente que outros, mas não houve nem uma pessoa que não se riu. “É por isto que eu detesto beber…” pensou, suspirando levemente. A reunião já não perecia uma reunião mas sim uma festa. Os convidados conversavam alegremente e bebiam e comiam a vontade. Apenas Saya mantinha-se igual, sem saber o que fazer.
 - Oh, va lá! Eu não te trouxe aqui comigo para ficares a olhar para a comida sem comeres nada. – declarou Mike e, pegando no seu prato, pôs lá todo o tipo de coisas.
 - Isso mesmo. – apoio-o uma rapariga que se sentava do outro lado – Se não comeres, nunca vais crescer… ou tu não precisas?
 A rapariga tinha um curto cabelo cor-de-rosa e os seus olhos também eram da mesma cor. Parecia uma criança com aquele cabelo. A única diferença é que tinha o corpo de uma mulher adulta. Usava um quimono simples cor-de-rosa e parecia estar muito integrada naquele quadro. “Todos necessitam de comer… não?” Saya lembrou-se que Natsu e Yuki quase nunca comiam, dizendo que a energia que Saya lhes fornecia era suficiente. “Hm.. Interessante…” pensou e começou a comer, sem responder a questão que lhe era dirigida. Era obvio que, apesar de tudo, todos estavam intrigados com a presença da estranha. Ninguém sabia quem ela era nem o que fazia ao pé de todos eles. A única coisa boa era que o alvo dos olhares já não era Saya mas sim o Mike. Sorrindo para todos, ele resolveu apresenta-la.
 - Esta é a Saya. – declarou – Se tiverem qualquer questão, perguntem-lhe.
 Sentindo-se traída, Saya virou a cabeça rapidamente, fulminando-o com o olhar. Ele limitou-se a sorrir, começando a falar com os gémeos. “Mas que irritante.” Pegando no seu copo, ela bebeu o conteúdo sem pensar duas vezes, o que revelou-se um grande erro. Isso provocou-lhe uma grande tosse e o riso geral.
 - Mas que desastrada… - declarou a mulher de cabelos cor de rosa  -Eu chamo-me Sara e se tiveres algumas questões, só tens que me perguntar.
 Piscando-lhe uma vez o olho, ela encheu lhe o copo com água. Um pouco envergonhada, Saya agradeceu e bebeu rapidamente.

 Já era noite cerada mas ninguém estava com disposição para sair da sala muito animada. Depois de alguns copos, não fizeram mais perguntas acerca da Saya, limitando-se a falar sobre coisas pouco importantes. Pelos cálculos da rapariga, já devia ser meia-noite e, apesar de ter dormido antes, ela estava com imensa vontade de dormir. Bocejando baixinho, ela notou que Mike e o homem de cabelos longos observavam-na de vez em quando. Era fácil de entender que o segundo era o dono daquela casa, não só pela posição que ocupava mas também pelo modo como os empregados o tratavam. O problema era que ele começava a sentir-se cada vez mais impaciente, olhando para a porta mais vezes e em intervalos cada vez menores, tal como os outros cinco. Isso, e o facto de ele estar a olhar para ela o tempo de sobrava, estava a incomoda-la imenso. “Não penses nisso.” Olhando para a Sara, ela tentou ouvir o que esta estava a dizer quando sentiu uma dor ligeira na cara, mas, pensando que não era nada, apenas sua imaginação, ignorou o sucedido.
 - Então, e o que tu achas, Saya? – perguntou Sara, virando-se para a rapariga com um grande sorriso – Qual dos homens daqui gostas mais?
 Apanhada de surpresa Saya corou como um tomate e os seus lhos verdes voaram por segundos até a cara do proprietário da casa, regressando outra vez tão rapidamente que apenas Sara notou. Rindo-se, a mulher brincou com Saya durante uns momentos.
 - Bem… boa escolha… - afirmou, sem conseguir parar de rir.
 - Cala-te! Não digas nada!
 - Mas que chata.
 A rapariga olhava outra vez zangada, sem dizer mais nada. Sabia que devia ter prestado mais atenção a aquilo que se passava a sua volta mas a reacção da Sara irritava-a tanto… “Não devia ter olhado.” Pensou.
 Enquanto meditava no assunto, sentiu alguém tocar-lhe na face. Virando-se, viu que o Mike olhava-a muito espantado. Mas havia algo mais no seu olha: Medo. Mike tinha o seu dedo perto da cara da rapariga e Saya, ao olhar com mais atenção, reparou que algo vermelho escorria levemente. Era demasiado parecido com sangue. “Como ele cortou-se?” interrogou-se a rapariga, ficando espantada e sobressaltada pela pergunta do Mike.
 - Como é que te cortaste?
A compreensão iluminou a cara da rapariga. “A dor… eles estão cá…” Levantando-se num salto, Saya levou a mão a cara, só para confirmar se era mesmo verdade. Pela primeira vez sentiu o líquido quente a escorrer lentamente pela ara e o corte fino a este associado. Sem demoras, ela desculpou-se e saiu apressada da sala, sem ouvir o que lhe estavam a dizer. Mal ela sabia que se tivesse demorado mais um segundo a sair, não seria capaz de ver os seus amigos nunca mais.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sakura no Chi chapter 7 part 1

 Um jantar peculiar

 Era muito estranho ver tanta gente a correr de um lado para outro sem poder fazer nada para os ajudar. Sentada no seu lugar, Saya amaldiçoava o Mike e os gémeos por a obrigarem a ficar naquele lugar. Depois de um deles referir que estava com fome, os outros dois agarraram nela e arrastaram-na para um quarto onde uma mulher já estava a sua espera. O que aconteceu a seguir foi um trauma para ela. A mulher obrigou-a a mudar de roupa e vestir um quimono vermelho com flores de Sakura brancas e ramos pretos. Era muito bonito e o tecido suave mas Saya tinha medo de estraga-lo, visto que parecia ser muito caro e precioso. Os seus cabelos foram amarrados com força num nó e decorado. Foi uma sorte as madeixas continuarem escondidas atrás do cabelo, visto que ela não queria que ninguém soubesse da sua existência. Já lhe chagava o modo como os outros olhavam para os seus olhos invulgares.
 Sentada, Saya suspirou, olhando para fora da sala. A noite estava linda e a luva brilhava mesmo ao centro, estando quase cheia. Enquanto olhava para a lua, Saya levantou-se e encaminhou-se para fora da sala, como se estivesse hipnotizada. O seu quimono fluía atrás dela, lenta e suavemente, sem derrubar nada a sua frente. A rapariga saiu do quarto e saltou para o jardim, parando por momentos, maravilhada.
  O jardim estava incrivelmente bonito. As pedras por baixo dos seus pés brilhavam suavemente, reflectindo a luz lunar, e algumas das flores, que anteriormente estavam fechadas, abriram, dando um aspecto totalmente novo ao jardim. Mas nem mesmo essa beleza conseguia parar a Saya que, depois de levantar os olhos para a Lua, continuou a andar devagar, sussurrando algo tão baixinho que ninguém conseguia ouvir.

  Mike, já com outra roupa, mais formal, andava devagar a volta da casa, verificando o trabalho de todos. Tudo tinha que estar perfeito e Mike era responsável por isso. Enquanto caminhava, verificou a cozinha e o posto de segurança, verificando que tudo estava bem. Alegre, encaminhou-se para a sala onde Saya tinha que estar. Irritava-o o facto de te-la deixado sozinho. Não que acreditasse que ela era capaz de causar problemas, com aquele corpo pequeno e frágil, mas não podia leva-la atrás de sim durante todo o tempo. Algo nela fazia as pessoas sentir-se confortável e ele tinha a certeza que não foi o único a reparar.
  Despachando-se, ele ia a cantarolar baixinho para si, sorrindo um pouco. Só que quanto mais se aproximava, menos vontade tinha de sorrir. Saya estava no meio do jardim, a olhar para a Lua sem desviar o olhar nem por um segundo. A sua pele brilhava suavemente sob a luz lunar, tal como as pedras por baixo dela, e os seus olhos verdes estavam mais claros e misteriosos do que nunca. Correndo para ao pé dela, ele agarrou-lhe no braço no momento certo. Mais um ou dois segundos e ela teria embatido contra a barreira a volta da casa. O espectáculo seria interessante de se ver, só que Mike não queria sacrifica-la para tal.
  Espantada, Saya tirou os olhos da Lua e olhou para o Mike. Este largou-a no instante em que os seus olhos se cruzaram e dei um salto para trás. Os olhos da rapariga eram assustadores. Claros como água, já não eram verdes mas sim brancos. Brancos com um toque de vermelho num dos olhos e verde no outro.
 Confusa, Saya deu um passo em frente, abrindo a boca para lhe perguntar o que se passava quando um dos gémeos, o Alex, apareceu, chamando-os.
  - Ó pessoas, temos que ir. Está quase a começar.
 - Está bem! – exclamou Saya, correndo na sua direcção.
 Os seus olhos já estavam normais e ela não conseguia lembrar-se do que fazia no jardim. Chagando ao pé da casa, ela olhou para o patamar que tinha que subir. Era ligeiramente elevado e ela duvidava que conseguisse subi-lo com o quimono. Suspirado, ela começou a procura de umas escadas, Mas antes que ela conseguisse encontrar qualquer coisa, alguém agarrou-a na cintura e elevou-a no ar como se ela fosse uma boneca. No instante seguinte, foi o Alex que a agarrou, puxando-a para ele.
 - Tu tens que comer mais, princesa. – brincou Mike, saltando para cima sem problemas.
 Entendendo que foi Mike que a agarrou, Saya corou e afastou-se dos dois rapazes, um pouco irritada. Eles eram tão atrevidos.
 - Não me chames princesa. Eu tenho um nome. Saya! Entendido?
 Rindo-se, os dois agarraram nas suas mãos e arrastaram-na, mais uma vez, atrás deles. Não tiveram que percorrer um caminho longo. O objectivo era chegar ao portão de entrada. A rapariga ficou profundamente espantada com a mudança. A porta estava decorada com todo o tipo de flores e o caminho até a casa iluminado por completos. Espantada, virou-se para perguntar aos rapazes a razão para tal quando o portão abriu-se e cinco figuras entraram majestosamente. Eram três homens e duas mulheres vestidos com roupas brancas, parecidas com as roupas que Mike utilizava antes, mas muito mais bonitas e elegantes. Todos os tratavam com respeito. O problema era que Saya não conseguia desviar o seu olhar do homem de cabelos escuros que entrou logo em primeiro lugar. O cabelo era longo mas estava apanhado atrás, chegando até aos ombros. Os olhos também eram escuros, quase pretos, e tinha uma cara bela e robusta ao mesmo tempo. Só que o que mais a espantava não era a sua beleza mas a forma como ele era parecido com a sua mãe. Os cabelos, olhos, a expressão séria… eram tão parecidos que ela nem deu conta do toque do Mike.
 - Oi! Princesa, acorda! – chamou-a, abanando o seu braço esquerdo levemente.
 Pela segunda vez no mesmo dia, uma dor intensa percorreu o braço esquerdo da rapariga, que se retraiu com a dor  e o toque inesperado.
 - Calma! – exclamou Mike, sorrindo um pouco por causa da sua expressão alarmada. – Temos que nos despachar ou não vamos comer.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sakura no Chi chapter 6 part 2



 Sorrindo, Mike levantou-se e encaminhou-se até ao armário, de onde tirou uma par de roupas e amando-as a Saya.
 - Veste-te e depois explico.
 Antes de sair, ela olhou para ela mais uma vez e, com um sorriso um pouco estranho, fechou a porta atrás de si. Intrigada, Saya pegou no monte de roupa reparando que era roupa normal, tal como no seu mundo. Vestindo as calças justas escuras e a camisola de alças preta simples, Saya perguntou-se como é que ele sabia o seu número de roupa, lembrando-se do que aconteceu com o quimono antes. “Seu.” Pensou, envergonhada. “Não foi ele… não foi ele…” ela estava a tentar convencer-se a sim própria que era assim. Pouco lhe ia servir mas o sentimento de um homem qualquer tocar no seu corpo enquanto estava inconsciente era horrível e errado. Soltando o cabelo por momentos, Saya abanou a cabeça várias vezes, tentando com que o cabelo se desembaraçasse um pouco, antes que voltar a apanha-lo um rabo-de-cavalo, escondendo as ricas por entre o resto do cabelo. Respirando fundo, Saya foi até a porta principal, abrindo-a sem qualquer aviso. Esperava encontrar Mike sozinho, só que ele estava a observa-lo acompanhado pelos gémeos de antes.
 Os três olharam para ela ao mesmo tempo, interrompendo a sua conversa. Saya ficou a espera de eles desviarem o olhar, fitando-os por uns momentos, mas nenhum deles o fez e, sentindo-se observada, Saya retraiu-se fechando a porta com muita força.
  Mike e os outros dois acordaram com o bater da porta, confusos. Nenhum deles estava a espera de vê-la aparecer tão repentinamente. Os seus olhos verdes eram tão misteriosos que eles perdiam-se neles sempre que olhavam sem se prepararem para o que iam ver. Mike levantou-se e aproximando-se da porta de entrada, bateu, enquanto os outros dois continuavam nos seus lugares a sussurrar baixinho um para o outro sobre o que tinha acabado de acontecer.
- Já estas prontas? – Mike interrogou-a, fingindo que nada aconteceu alguns minutos antes.
  Apesar de tudo, Saya ainda demorou um pouco a sair do quarto e quando o fez, vinha com uma expressão preocupada, como se, enquanto estava no quarto, tivesse reflectido um pouco mais sobre a sua situação.
 Ao sair, Saya não conseguiu de se deixar sentir maravilhada com o jardim a sua frente. Era muito verde e tinha imensas árvores e plantas de todo tipo, desde de pequenos arbustos sem flores até exóticas árvores repletas de vários tipos de folhas de todas as cores. Emitia um aroma de aventura e mistério. Até as próprias flores davam um ar misterioso ao jardim, com as suas cores estranhas desde o azul-arrocheado até ao amarelo canário. Por entre as plantas, vim se um pequena passadeira feita de pedras claras e areia. “Que fixe!” Não conseguiu deixar de pensar, enquanto calçava uns sapatos que Mike lhe deu.
 - Obrigada – agradeceu-o com um sorriso pequeno, resolvendo ignorar a situação anterior. Não seria muito correcto não o fazer, visto que a posição dela indicava tudo menos o contrario.
 - De nada. Ainda não conheces os meus irmãos, pois não? – interrogou mas não ficou a espera de respostas, introduzindo-os. – Estes são o Alex e o Eric.
 Os dois rapazes aproximaram-se, sorrindo.
 - Olá. – afirmou um deles. Tinha uma voz muito mais madura do que aparentava ser e o seu sorriso era calmo e simpático. – Eu sou o Alex. Se quiseres distinguir-nos, é melhor fazê-lo pela cor dos nossos cabelos.
 Saya sorriu, acenando em concordância. O Alex tinha o cabelo escuro, pelo que ela deduziu que o rapaz de cabelo loiro que sorria de modo traquinas era o Eric. Mais uma vez, enquanto olhava a volta, ela interrogou-se onde estava. A resposta anterior do Mike só serviu para confundi-la e os dois gémeos não serviam de nada se ela quisesse respostas rápidas e precisas. Já há muito tempo que entendeu que a melhor maneira de tirar uma resposta de dois ou mais indivíduos era separa-los e interroga-los um de cada vez. Pelos vistos, Mike também o sabia. Era visível pelo modo como os seus lábios se comprimiram quando Saya olhou para ele. Irritada, ela sentiu-se um cachorro perdido a espera dos seus donos.
  - Querem mostrar-lhe a casa comigo? – perguntou de repente o Mike, quebrando o silencio auto imposto por todos, e, sem esperar por ninguém, começou a andar.
  Contrafeita, Saya ainda se manteve no mesmo lugar mas ao reparar que ele não ia parar, suspirou e seguiu-o, tal como os gémeos. Apesar disso, eles estavam estranhamente animados, como se as distracções chegassem de longe que até mostrar a casa a alguém era interessante. “A serio… onde é que eu estou?”



  O edifício era gigante. Depois de visitarem a cozinha, as duas salas de jantar e uma casa de banho, Saya perdeu a noção de tempo. Já nem sequer contava os quartos que visitavam nem tentava situar-se no espaço. Tinha a certeza de uma coisa. Se ela tentasse ir a algum lugar da casa sozinha, perder-se-ia sem qualquer demora. Mike, Eric e Alex conversavam de vez em quando entre si acerca de todo o tipo de coisas que a rapariga achava serem pouco importantes. Chegaram a perguntar-lhe coisas sobre a vida dela. A única informação que ela deixou escapar foi que não vivia numa casa tão gigante.
 A viagem prosseguiu até escurecer por completo. Sabendo que era o horário de Verão, Saya concluiu que já deviam ser por ai oito ou nove horas da noite. As luzes iluminavam a casa e o jardim, dando-lhes um aspecto mais reconfortante e um pouco mais misterioso, mas nem por um segundo Saya sentiu-se assustada.
 A rapariga já estava cançada  com vontade de comer. A refeição ligeira umas horas antes não tinha sido suficiente para aguentar tanta caminhada e excitação. Foi então que Mike virou-se, encarando-a com um sorriso um pouco enigmático. Nem mesmo os gémeos conseguiam ver uma razão para tal.
  - Então, o que achaste da casa? – interrogou.
 - Hmm… acho que é demasiado grande…. Mas de resto é fixe. Especialmente o jardim. – concluiu. Não podia dizer mais nada, visto que o seu cérebro se desligou a meio do caminho.
 - Boa! Gostarias de conhecer o dono da casa?
 Os gémeos começaram a rir-se as gargalhadas. Pelo meio, Saya conseguiu ouvir algumas palavras como: “Tu tas maluco” ou “Que lata”. Mesmo assim, não entendeu a razão para tal.
 - Ora bem. Vamos comer!