Na estranha casa
Saya estava a dormir sossegada num quarto estranho. Não sonhava, só dormia, esquecendo todas as suas preocupações. O quarto era grande e espaçoso, do estilo japonês, com cores escuras e fortes. As paredes, de madeira, estavam cobertas por papel de parede com flores de Sakura. O chão também era de madeira, mas com uma mais escura que a primeira.
Via-se um pequeno armário com espelho num dos cantos interiores e alguns vasos. Mas de resto, não havia mais nada a não ser a cama onde Saya dormia. A porta da entrada situava-se a sul, dando acesso para o jardim. Havia mais uma porta de entrada do lado oposto, sendo esta mais pequena e mais escondida.
Ninguém veio acordar a rapariga e esta continuou a dormir até que o dia deu lugar a noite. Ainda não era completamente escuro. O sol escondia-se atrás das nuvens, criando padrões de cores vermelhas e laranjas com várias formas. Era difícil descrever a imagem e os sentimentos que causava aos seus observadores. A lua espreitava, brilhando de vez em quando, esperando a sua vez de aparecer.
Abrindo os olhos devagar, Saya olhou a volta confusa, ainda meio a dormir. Não se lembrava de nada de jeito. Só algumas recordações pouco claras. A sua cabeça doía horrivelmente e a mão esquerda ainda estava dormente. Levantando as costas, ela tinha que admitir que essa era uma situação muito peculiar. Não só ela não sabia onde estava como também não fazia a mínima ideia de como voltar para casa. AS suas memórias estava a voltar lentamente e o dilema aumentava. Os seus pais ficavam fora normalmente durante 6 dias. Logo, l só tinha mais três para voltar ou ia meter-se em sérios problemas. “Isto vai ser mau…” pensou. A rapariga sabia que o Dark e os outros já estavam naquele mundo. Conseguia senti-los antes, quando eles chagaram, mas até os mais hábeis teriam dificuldades em encontra-la em tão pouco tempo. Para piorar a sua situação, nem ela mesma sabia onde estava.
Suspirando mais uma vez, Saya levantou-se, notando uma coisa muito estranha. Ela não estava a utilizar as suas roupas normais mas sim uma espécie de quimono branco e leve. Ela tinha a certeza que isso tinha um nome especifico mas graças a sua má vontade de estudar historia, ela nunca tinha decorado o se nome. Envergonhada, Saya procurou a sua roupa. Sentia-se muito exposta com aquele tipo de vestuário. Só que não importa como ela procurou, não encontrou nada, nem mesmo a sua mala.
- Bolas! – exclamou irritada, olhando mais uma vez a volta do quarto.
- Passa-se algo, princesa? – interrogou uma voz desconhecida, vindo da entrada.
Virando-se muito rapidamente. Saya tentou focar o seu olhar no recém-chegado. O seu coração batia velozmente e a adrenalina pulava nas veias. Ela não tinha a certeza se conseguia fugir mas não iria a baixo sem uma luta. Para o seu espantado, ela reconheceu-o. Era o Mike, o rapaz com o qual esteve a discutir alguns segundos antes de ter desmaiado. A diferença era que desta vez, ela vinha vestido com o mesmo quimono preto que todos os outros homens com arma e trazia um tabuleiro com comida. Grata por não ser um estranho qualquer ou os homens aos quais tinha enganado antes, Saya praticamente deixou cair-se em cima da cama, suspirando pela terceira vez desde que acordou.
Espantado e preocupado, Mike entrou sem qualquer cerimonias, observando-a com interesse. Ao sentar-se na cama, ele empurrou-lhe o tabuleiro, dizendo.
-Toma. Deves estar com fome.
O estômago da Saya roncou nesse mesmo momento, como se estivesse a relembrar que ele ainda existia. Ela comeu em silêncio, devorando a comida com apetite. Não era grande coisa mas a ultima coisa que comeu foi uma maça, pelo que não se queixou. A refeição era composta por um prato de sopa e arroz, com alguma salada. Mike olhava para ela ainda mais interessado, como se ela tivesse confirmado algumas das suspeitas que ele tinha acerca dela. Ignorando-o um pouco, Saya aproveitou a oportunidade para meditar acerca do que fazia naquele lugar. Era obvio que foi ele ou um dos seus amigos a traze-la para aquele lugar, só que ela não via uma razão para tal. Ele podia te lá morto, mas não o fez, o que, mais a comida que lhe deu, fazia dele um homem mais ou menos decente, pelo que ela esqueceu a sua intenção de matar o homem.
- Então, como te chamas? – perguntou Mike, logo que ela acabou de comer.
Tinha uma cara seria e brincalhona ao mesmo tempo, pelo que Saya bebeu um copo de agua antes de lhe responder.
- Chamo-me Saya. Onde estou?
No momento, era essa a questão mais importante. Se soubesse onde estava, então talvez conseguiria de encontrar uma maneira de sair daquele lugar. Por segundos, Saya penou em esconder o seu nome do Mike só que não conseguiu encontrar nenhum tipo de benefício nisso. O rapaz também não lhe respondeu logo, observando-a por momentos, como se estivesse a avalia-la com uma cara seria. O seu olhar revelou que ficou satisfeito com o que via e, respirando fundo duas vezes, afirmou.
- Este é o lugar onde vivo, Zona 5.
Sem comentários:
Enviar um comentário