quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sakura no Chi chapter 8 parte 3

Mike - Parte3

 Noite envolveu a terra mais uma vez, silenciosamente como uma cobra a rastejar até a sua presa. O mundo silenciou um pouco, dando lugar as vozes das florestas e dos animais, silenciosamente conversando no escuro,invisíveis aos olhos tolhidos dos seres humanos ignorantes e arrogantes. Mas nem todos eram assim.
 Dentro de um quarto escuro, três rapazes esforçavam-se o mais que conseguiam para chamar os espíritos dos animais que por ai passavam, com esperança de estes conseguirem solta-los das cordas que os amarravam e tolhiam-lhes a vista, sem lhes deixarem mexer-se nem um milímetro. As cordas não pareciam normais, pelo modo como não cediam a nenhuma das suas tentativas de as romper, mas também não eram de nenhum metal, pois o seu toque na pele nua era suave e quente, podendo até ser reconfortante se não fosse a força com a qual atava os rapazes. Um por um, estes foram acordando aos poucos, mesmo da noite chegar, mas como o quarto no qual se encontravam não tinha janelas abertas, estes ficaram na escuridão até que ouviram o leve piar do mocho, que indicava a chegada da noite a terra.
 "Temos de sair daqui!" pensou um deles, dando um salto para cima, esperando que algo acontecesse. Foi mais do que estúpido o seu ato, pais não só não serviu de nada, também o levou a magoar-se. "Tenho a certeza que vou ter uma nódoa negra depois disso...2 pensou, sem poder expressar a sua dor verbalmente. "Isto é tão irritante." Se ele pudesse sacar a sua arma, já há muito tempo que teriam saído dai mas quem quer que os tenha raptado já tirou todas as armas que este possuía. "Bolas!"
 O tempo passava devagar, sendo que os minutos pereciam horas e as horas séculos. Já nenhum dos três prisioneiros tentava escapar, sabendo que era impossível. Os animais não se aproximavam daquele lugar, temendo-o, e até quando os três os chamavam com uma intensidade quase impossível de resistir, estes não lhes ligavam nenhuma, como se já estivesses sob comando de alguém. Os prisioneiros, resignados com a sua sorte, esperavam até que os seus captores chegasses e lhes explicassem o que estavam lá a fazer. Era mais do que óbvio que não foi apenas uma pessoa a atuar durante a captura. O mais velho estimava pelo menos quatro pessoas, só que não tinha a certeza, pois quem sabe quantas mais pessoas podiam estar envolvidas nisso. Os habitantes do seu mundo raramente iam para a terra. Apenas os qualificados eram enviados para recuperar almas ou destruir alguns dos monstros, mas estes voltavam logo a seguir da sua missão. Era visível pelo descontentamento dos mais velhos que não foi sempre assim, que apenas recentemente as regrar mudaram, mas ao Mike apenas interessava a cidade em que se encontravam naquele mesmo momento. "Será que foi por causa disto que não somos mandados para estes lados?" interrogou-se, ainda sem poder falar ou sussurrar. Isso poderia explicar o facto de ninguém ir ali mas não explicava a falta de registos. Antes de sair, Mike visitou a o quartel para ver alguns dos registos, esperando encontrar a rapariga, mas não encontrou nada sobre a cidade, parecia que alguém levou a informação de propósito e não deixou nem um rasto dela.
 Já sem paciência nenhuma, Mike tentou não pensar, pois fazia-o sentir ainda mais impaciente que o habitual. Voltando a contar os segundos mentalmente, ele esperou mais um pouco. "Eles dever vir daqui a nada..." afirmou a si próprio, tentando convencer-se disso. Tinha a certeza que os seus irmãos também o estavam a fazer.
 Após mais uma meia hora de espera, uma porta abriu-se do nada, deixando entrar luz no quarto escuro que afinal era uma cave, recheada de várias caixas fechadas castanhas escuras e alguns brinquedos de criança já muito velhos e gastos, parecendo já ter imensos anos para traz. Umas escadas levavam para a saída e, mesmo ao lado destas, havia uma pequena janela fechada, impedindo a entrada de luz do exterior para dentro. Sem ver nada, os três rapazes ficaram quietos a ouvir um grupo de cinco pessoas a descer as escadas devagar e calmamente, como se o que estava a acontecer era tão natural como ir almoçar ou dormir. Um por um, os recém chegados desceram as escadas e rodearam os três rapazes deitados no chão. Parecia que um deles se estava a rir... ou então eram dois. Mike não conseguia deixar de se sentir incomodado com a presença deles. Não só era incomodativo não ser capaz de os olhar para os olhos, como também sentia a presença de um monstro e de alguém do mundo deles. O problema é que não conseguia acreditar em si próprio, pensando que alguém lhe estava pregar uma partida.
 - Que fofos! - exclamou uma voz extremamente familiar, rindo-se baixinho - Já vos tiro as vendas. Esperem mais um bocadinho, está bem?
 Algo quente e suave tocou na cara do Alex, tirando-lhe a venda levemente e devagar. Antes que este se habituasse a luminosidade intensa, as mãos já desapareceram, indo libertar os outros das vendas. Mas isso não foi o suficiente para os rapazes não entenderem quem é que os tinha libertado. Era a Rose, a mesma rapariga que tinham encontrado na floresta e que tinha ficando com eles durante a noite a conversar... e pelos vistos a mesma que levou a eles serem capturados por estranhos.
 - O que é que tu queres de nos? - interrogou Mike, sem esperar para lhe ser retirada a venda.
Ele estava mais do que chateado. Tinha acreditado nela mais ou menos e isso apenas serviu para ser capturado. Rose, desatando a sua fenda, tirou as cordas que os prendiam, indo ter com o resto do grupo sem pronunciar nem uma palavra, como se não quisesse estragar a surpresa. Mexendo-se um pouco, gratos pelas cordas seres retiradas, o Mike e os seus irmãos olharam para o grupo de cinco que estavam ao pé das escadas. Este era formado por duas raparigas e três rapazes. Durante alguns segundos estes não foram capazes de pronunciar nada enquanto observavam os quatro estranhos. Todos eles vestiam roupas brancas e tinham umas madeixas no cabelo mais ou menos parecidas, o que só servia para desconcentrar os irmãos ainda mais.
O Eric foi o primeiro a recuperar do choque e desviou o olhar o mais rápido que conseguia. Doíam-lhe os olhos só por olhar para as suas auras. Cada "Ignora isso... ignora..." afirmou mentalmente, puxando a Alex para o chamar a realidade.
- Posso saber o que vocês querem de nós? - interrogou, ignorando a Rose. Já sabia que ela não era de confiança. - Nós não vos fizemos nada e vocês raptam-nos assim do nada?
 A mulher mais velha e morena riu-se um pouco, observando o Eric de perto.
 - Eu gosto dele. Posso brincar com ele um pouco mais tarde? - interrogou a alguém, olhando-o de perto.
 Engolindo um seco, Eric fingiu que ela não ouviu nada. Era a melhor maneira de tratar as mulher naqueles caos, ou pelo menos ele pensava assim.
 - Kaya, controla-te!- exclamou o rapaz de cabelo escuro. - Nós apenas queríamos falar com vocês...
Espantados, os irmãos entre olharam-se, confusos.
 - Queríamos formar uma aliança. - afirmou Rose, sorrindo.

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