quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Sakura no Chii chapter 9 parte 2
Primeiro caiu o chão. As escadas foram seguintes, caindo como domino, uma atrás de outra. A parede, uma parte do teto, seguiram-se, juntamente com todos os objetos guardados na arrecadação. Destruição e terror giravam na casa. Os bocados de cimento e madeira embatiam no chão ruidosamente, ofuscando os gritos de medo e socorro da Saya que se encolhia por entre os destroços, depois de subir rapidamente pelo que restava das escadas, tentando proteger-se do perigo. Os sentidos já nem respondiam como devia ser. O terror e o medo invadiam-na por todo o lado enquanto esta fechava os olhos para não ver nada a sua volta. Não ouvia nem um som com os ouvidos afetados pelo ruído do desabafamento da casa. Só queria sair dali.
Os minutos bem podiam ser horas ou anos, mas por fim a destruição parou o suficiente para esta entender isso. Abrindo os olhos, o pó voou como vento até estes, forçando-a a fecha-los o mais rápido que conseguia, movendo a mão até ao seu nariz. A poeira parecia um inferno nos seus pulmões, dificultando a respiração o mais que conseguia. Parecia que já não existia mais oxigénio naquela divisão destruída. Os cinco sentidos dos quais os humanos tão dependiam eram-lhe negados a todo o vapor. Desde o olfato até a audição, nada funcionava expecto o gosto, sentindo a poeira na língua pesada. Poderia até ser sangue misturado com poeiras... não se lembrava se o latejar na língua era do impacto ou dos seus dentes... Tentando por-se de pé, embateu contra algo por cima da sua cabeça, caindo no chão com um estrondo que os seus ouvidos não chegaram a ouvir. O zumbido constante lembrava-lhe os chatos incestos que a adoravam rodear durante o verão e sugar-lhe o sangue, porem esses não lhe provocavam tanta dor de cabeça. Sentindo que não podia fazer nada, o desespero invadia ainda mais, sugando-lhe o resto da esperança. Sentia que se esquecerá de algo muito importante, mas a sua situação não lhe permitia muita reflexão própria.
Abrindo os olhos devagarinho, já não os fechou mais. A destruição foi a única coisa que viu. Olhando para baixo agradeceu aos deuses desconhecidos. Estava sentava a milímetros do precipício que outrora foram as suas escadas. "Oh meu deus..." sentia as lágrimas a chegar aos olhos, porém não lhes iria permitir chegar mais longe que isso. Doía-lhe o corpo todo, desde a cabeça até aos dedos dos pés cortados. Os joelhos latejavam em conjunto com as mãos que levou a cara para limpar um pouco de pó, ficando com o sangue todo em cima de si. Acreditava não morrer por causa de nenhuma das suas feridas, só que a dor era meio insuportável.
- Saya! - alguém chamava-a ao longe, atrás de si. - Saya!
Alguém chamou-a outra vez. Era tão longe e tão distante a voz. Desejou que a deixassem em paz por momentos, porem ao virar a cabeça lentamente, deu caras com o Dar que a olhava preocupado. Mais uma vez, Saya estava sem palavras. Pela primeira vez via uma emoção tão forte na sua cara que sempre se mantinha inflexível não importa as circunstancias. Era bela, mesmo com o medo todo refletido nela.
- Dark... - chamou, levantando a mão para acaricia-lo com um sorriso séptico na cara, desmaiando no momento seguinte.
- Saya! Saya! - Dark chamava precipitadamente, ignorando o sangue leve que ficou na sua face.
- Calma. - Rose apareceu por de traz dele, indo logo ajudar a Saya - Ela só desmaiou... Tens que ficar calmo e deixar-me trata-la. Vai descobrir quem fez isto ou encontrar alguém para arranjar esta confusão... - um suspiro logo fez se ouvir dos seus lábios de criança - Parece que vamos ter de nos mudar... mais uma vez.
"Tens a certeza que é isto que queres? Eu podia dar-te tudo! O meu amor, o meu dinheiro... a mão de quem amas, um castelo, uma vida eterna... Responde-me! Sakura! Não não vás! Responde! Sakura!"
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