Sorrindo, Mike levantou-se e encaminhou-se até ao armário, de onde tirou uma par de roupas e amando-as a Saya.
- Veste-te e depois explico.
Antes de sair, ela olhou para ela mais uma vez e, com um sorriso um pouco estranho, fechou a porta atrás de si. Intrigada, Saya pegou no monte de roupa reparando que era roupa normal, tal como no seu mundo. Vestindo as calças justas escuras e a camisola de alças preta simples, Saya perguntou-se como é que ele sabia o seu número de roupa, lembrando-se do que aconteceu com o quimono antes. “Seu.” Pensou, envergonhada. “Não foi ele… não foi ele…” ela estava a tentar convencer-se a sim própria que era assim. Pouco lhe ia servir mas o sentimento de um homem qualquer tocar no seu corpo enquanto estava inconsciente era horrível e errado. Soltando o cabelo por momentos, Saya abanou a cabeça várias vezes, tentando com que o cabelo se desembaraçasse um pouco, antes que voltar a apanha-lo um rabo-de-cavalo, escondendo as ricas por entre o resto do cabelo. Respirando fundo, Saya foi até a porta principal, abrindo-a sem qualquer aviso. Esperava encontrar Mike sozinho, só que ele estava a observa-lo acompanhado pelos gémeos de antes.
Os três olharam para ela ao mesmo tempo, interrompendo a sua conversa. Saya ficou a espera de eles desviarem o olhar, fitando-os por uns momentos, mas nenhum deles o fez e, sentindo-se observada, Saya retraiu-se fechando a porta com muita força.
Mike e os outros dois acordaram com o bater da porta, confusos. Nenhum deles estava a espera de vê-la aparecer tão repentinamente. Os seus olhos verdes eram tão misteriosos que eles perdiam-se neles sempre que olhavam sem se prepararem para o que iam ver. Mike levantou-se e aproximando-se da porta de entrada, bateu, enquanto os outros dois continuavam nos seus lugares a sussurrar baixinho um para o outro sobre o que tinha acabado de acontecer.
- Já estas prontas? – Mike interrogou-a, fingindo que nada aconteceu alguns minutos antes.
Apesar de tudo, Saya ainda demorou um pouco a sair do quarto e quando o fez, vinha com uma expressão preocupada, como se, enquanto estava no quarto, tivesse reflectido um pouco mais sobre a sua situação.
Apesar de tudo, Saya ainda demorou um pouco a sair do quarto e quando o fez, vinha com uma expressão preocupada, como se, enquanto estava no quarto, tivesse reflectido um pouco mais sobre a sua situação.
Ao sair, Saya não conseguiu de se deixar sentir maravilhada com o jardim a sua frente. Era muito verde e tinha imensas árvores e plantas de todo tipo, desde de pequenos arbustos sem flores até exóticas árvores repletas de vários tipos de folhas de todas as cores. Emitia um aroma de aventura e mistério. Até as próprias flores davam um ar misterioso ao jardim, com as suas cores estranhas desde o azul-arrocheado até ao amarelo canário. Por entre as plantas, vim se um pequena passadeira feita de pedras claras e areia. “Que fixe!” Não conseguiu deixar de pensar, enquanto calçava uns sapatos que Mike lhe deu.
- Obrigada – agradeceu-o com um sorriso pequeno, resolvendo ignorar a situação anterior. Não seria muito correcto não o fazer, visto que a posição dela indicava tudo menos o contrario.
- De nada. Ainda não conheces os meus irmãos, pois não? – interrogou mas não ficou a espera de respostas, introduzindo-os. – Estes são o Alex e o Eric.
Os dois rapazes aproximaram-se, sorrindo.
- Olá. – afirmou um deles. Tinha uma voz muito mais madura do que aparentava ser e o seu sorriso era calmo e simpático. – Eu sou o Alex. Se quiseres distinguir-nos, é melhor fazê-lo pela cor dos nossos cabelos.
Saya sorriu, acenando em concordância. O Alex tinha o cabelo escuro, pelo que ela deduziu que o rapaz de cabelo loiro que sorria de modo traquinas era o Eric. Mais uma vez, enquanto olhava a volta, ela interrogou-se onde estava. A resposta anterior do Mike só serviu para confundi-la e os dois gémeos não serviam de nada se ela quisesse respostas rápidas e precisas. Já há muito tempo que entendeu que a melhor maneira de tirar uma resposta de dois ou mais indivíduos era separa-los e interroga-los um de cada vez. Pelos vistos, Mike também o sabia. Era visível pelo modo como os seus lábios se comprimiram quando Saya olhou para ele. Irritada, ela sentiu-se um cachorro perdido a espera dos seus donos.
- Querem mostrar-lhe a casa comigo? – perguntou de repente o Mike, quebrando o silencio auto imposto por todos, e, sem esperar por ninguém, começou a andar.
Contrafeita, Saya ainda se manteve no mesmo lugar mas ao reparar que ele não ia parar, suspirou e seguiu-o, tal como os gémeos. Apesar disso, eles estavam estranhamente animados, como se as distracções chegassem de longe que até mostrar a casa a alguém era interessante. “A serio… onde é que eu estou?”
O edifício era gigante. Depois de visitarem a cozinha, as duas salas de jantar e uma casa de banho, Saya perdeu a noção de tempo. Já nem sequer contava os quartos que visitavam nem tentava situar-se no espaço. Tinha a certeza de uma coisa. Se ela tentasse ir a algum lugar da casa sozinha, perder-se-ia sem qualquer demora. Mike, Eric e Alex conversavam de vez em quando entre si acerca de todo o tipo de coisas que a rapariga achava serem pouco importantes. Chegaram a perguntar-lhe coisas sobre a vida dela. A única informação que ela deixou escapar foi que não vivia numa casa tão gigante.
A viagem prosseguiu até escurecer por completo. Sabendo que era o horário de Verão, Saya concluiu que já deviam ser por ai oito ou nove horas da noite. As luzes iluminavam a casa e o jardim, dando-lhes um aspecto mais reconfortante e um pouco mais misterioso, mas nem por um segundo Saya sentiu-se assustada.
A rapariga já estava cançada com vontade de comer. A refeição ligeira umas horas antes não tinha sido suficiente para aguentar tanta caminhada e excitação. Foi então que Mike virou-se, encarando-a com um sorriso um pouco enigmático. Nem mesmo os gémeos conseguiam ver uma razão para tal.
- Então, o que achaste da casa? – interrogou.
- Hmm… acho que é demasiado grande…. Mas de resto é fixe. Especialmente o jardim. – concluiu. Não podia dizer mais nada, visto que o seu cérebro se desligou a meio do caminho.
- Boa! Gostarias de conhecer o dono da casa?
Os gémeos começaram a rir-se as gargalhadas. Pelo meio, Saya conseguiu ouvir algumas palavras como: “Tu tas maluco” ou “Que lata”. Mesmo assim, não entendeu a razão para tal.
- Ora bem. Vamos comer!
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