terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sakura no Chi chapter 7 part 1

 Um jantar peculiar

 Era muito estranho ver tanta gente a correr de um lado para outro sem poder fazer nada para os ajudar. Sentada no seu lugar, Saya amaldiçoava o Mike e os gémeos por a obrigarem a ficar naquele lugar. Depois de um deles referir que estava com fome, os outros dois agarraram nela e arrastaram-na para um quarto onde uma mulher já estava a sua espera. O que aconteceu a seguir foi um trauma para ela. A mulher obrigou-a a mudar de roupa e vestir um quimono vermelho com flores de Sakura brancas e ramos pretos. Era muito bonito e o tecido suave mas Saya tinha medo de estraga-lo, visto que parecia ser muito caro e precioso. Os seus cabelos foram amarrados com força num nó e decorado. Foi uma sorte as madeixas continuarem escondidas atrás do cabelo, visto que ela não queria que ninguém soubesse da sua existência. Já lhe chagava o modo como os outros olhavam para os seus olhos invulgares.
 Sentada, Saya suspirou, olhando para fora da sala. A noite estava linda e a luva brilhava mesmo ao centro, estando quase cheia. Enquanto olhava para a lua, Saya levantou-se e encaminhou-se para fora da sala, como se estivesse hipnotizada. O seu quimono fluía atrás dela, lenta e suavemente, sem derrubar nada a sua frente. A rapariga saiu do quarto e saltou para o jardim, parando por momentos, maravilhada.
  O jardim estava incrivelmente bonito. As pedras por baixo dos seus pés brilhavam suavemente, reflectindo a luz lunar, e algumas das flores, que anteriormente estavam fechadas, abriram, dando um aspecto totalmente novo ao jardim. Mas nem mesmo essa beleza conseguia parar a Saya que, depois de levantar os olhos para a Lua, continuou a andar devagar, sussurrando algo tão baixinho que ninguém conseguia ouvir.

  Mike, já com outra roupa, mais formal, andava devagar a volta da casa, verificando o trabalho de todos. Tudo tinha que estar perfeito e Mike era responsável por isso. Enquanto caminhava, verificou a cozinha e o posto de segurança, verificando que tudo estava bem. Alegre, encaminhou-se para a sala onde Saya tinha que estar. Irritava-o o facto de te-la deixado sozinho. Não que acreditasse que ela era capaz de causar problemas, com aquele corpo pequeno e frágil, mas não podia leva-la atrás de sim durante todo o tempo. Algo nela fazia as pessoas sentir-se confortável e ele tinha a certeza que não foi o único a reparar.
  Despachando-se, ele ia a cantarolar baixinho para si, sorrindo um pouco. Só que quanto mais se aproximava, menos vontade tinha de sorrir. Saya estava no meio do jardim, a olhar para a Lua sem desviar o olhar nem por um segundo. A sua pele brilhava suavemente sob a luz lunar, tal como as pedras por baixo dela, e os seus olhos verdes estavam mais claros e misteriosos do que nunca. Correndo para ao pé dela, ele agarrou-lhe no braço no momento certo. Mais um ou dois segundos e ela teria embatido contra a barreira a volta da casa. O espectáculo seria interessante de se ver, só que Mike não queria sacrifica-la para tal.
  Espantada, Saya tirou os olhos da Lua e olhou para o Mike. Este largou-a no instante em que os seus olhos se cruzaram e dei um salto para trás. Os olhos da rapariga eram assustadores. Claros como água, já não eram verdes mas sim brancos. Brancos com um toque de vermelho num dos olhos e verde no outro.
 Confusa, Saya deu um passo em frente, abrindo a boca para lhe perguntar o que se passava quando um dos gémeos, o Alex, apareceu, chamando-os.
  - Ó pessoas, temos que ir. Está quase a começar.
 - Está bem! – exclamou Saya, correndo na sua direcção.
 Os seus olhos já estavam normais e ela não conseguia lembrar-se do que fazia no jardim. Chagando ao pé da casa, ela olhou para o patamar que tinha que subir. Era ligeiramente elevado e ela duvidava que conseguisse subi-lo com o quimono. Suspirado, ela começou a procura de umas escadas, Mas antes que ela conseguisse encontrar qualquer coisa, alguém agarrou-a na cintura e elevou-a no ar como se ela fosse uma boneca. No instante seguinte, foi o Alex que a agarrou, puxando-a para ele.
 - Tu tens que comer mais, princesa. – brincou Mike, saltando para cima sem problemas.
 Entendendo que foi Mike que a agarrou, Saya corou e afastou-se dos dois rapazes, um pouco irritada. Eles eram tão atrevidos.
 - Não me chames princesa. Eu tenho um nome. Saya! Entendido?
 Rindo-se, os dois agarraram nas suas mãos e arrastaram-na, mais uma vez, atrás deles. Não tiveram que percorrer um caminho longo. O objectivo era chegar ao portão de entrada. A rapariga ficou profundamente espantada com a mudança. A porta estava decorada com todo o tipo de flores e o caminho até a casa iluminado por completos. Espantada, virou-se para perguntar aos rapazes a razão para tal quando o portão abriu-se e cinco figuras entraram majestosamente. Eram três homens e duas mulheres vestidos com roupas brancas, parecidas com as roupas que Mike utilizava antes, mas muito mais bonitas e elegantes. Todos os tratavam com respeito. O problema era que Saya não conseguia desviar o seu olhar do homem de cabelos escuros que entrou logo em primeiro lugar. O cabelo era longo mas estava apanhado atrás, chegando até aos ombros. Os olhos também eram escuros, quase pretos, e tinha uma cara bela e robusta ao mesmo tempo. Só que o que mais a espantava não era a sua beleza mas a forma como ele era parecido com a sua mãe. Os cabelos, olhos, a expressão séria… eram tão parecidos que ela nem deu conta do toque do Mike.
 - Oi! Princesa, acorda! – chamou-a, abanando o seu braço esquerdo levemente.
 Pela segunda vez no mesmo dia, uma dor intensa percorreu o braço esquerdo da rapariga, que se retraiu com a dor  e o toque inesperado.
 - Calma! – exclamou Mike, sorrindo um pouco por causa da sua expressão alarmada. – Temos que nos despachar ou não vamos comer.

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