sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sakura no Chi chapter 7 part 2


 


  Um pouco irritada com a sua reacção, Saya apressou-se a seguir os gemes, caminhando a sua frente. A dor era mais tolerável que antes mas a rapariga tinha que se concentrar para não perder o fio da conversa que os rapazes estavam a ter. Não sentia hostilidade por parte de nenhum deles, o que era relaxante e, apesar de saber que tinha que fugir o quanto antes, não se importava de ficar naquele lugar mais um bocadinho. Era um pouco estranho, mas até aquele momento, ninguém lhe tentou fazer nenhum mal. “Despacha-te Dark.” Pensou, olhando para a noite esperançosa.
 Na sala, os lugares já estava, quase todos ocupados. O homem de cabelo escuro sentava-se ao pé da parede, virando para a entrada, logo no meio. Os outros quarto sentaram-se ao seu lado, dois de cada lado. Saya não conhecia ninguém mas Mike conhecia-os a todos. No total, haviam 12 pessoas na sala, incluindo a rapariga, o Mike e os gémeos, e dois lugares, ao lado do homem de cabelos longos, estavam desocupados. Saya sentou-se no lugar mais perto da porta e Mike sentou-se logo ao seu lado, seguido dos gémeos. Ela conseguia sentir o olhar inquiridor de todos os presentes, mas em vez que responder as suas perguntas silenciosas, manteve-se calada, olhando para baixo. Era mais seguro do que levantar os olhos e deparar-se com uma cara desconhecida que a examinava. Depois de um silêncio ligeiramente longo, o homem de cabelos escuros levantou-se e falou.
 - Obrigada por reunirem-se aqui hoje. Infelizmente, nenhum dos dois convidados ainda chegou, pelo que vamos ter que começar sem eles. Acho que entendem a posição em que eles estão e, no caso de dificuldades, ajudem a convencer os anciões…. É tudo.
 As suas palavras eram estranhas mas revelavam a autoridade que ele tinha perante os outros. Ele levantou o copo e bebeu, tal como todos os outros. Até as mulheres beberam. Mas Saya manteve-se igual, até que reparou que todos a olhavam. Confusa, observou a sua reacção e suspirando, bebeu o que estava dentro do copo. Para seu espanto e desapontamento, era álcool. Sem qualquer aviso, Saya começou a tossir. Não era nada resistente ao álcool e detestava todas as vezes que era obrigada a beber. Espantados com a sua reacção, todos começaram a rir-se. Uns mais discretamente que outros, mas não houve nem uma pessoa que não se riu. “É por isto que eu detesto beber…” pensou, suspirando levemente. A reunião já não perecia uma reunião mas sim uma festa. Os convidados conversavam alegremente e bebiam e comiam a vontade. Apenas Saya mantinha-se igual, sem saber o que fazer.
 - Oh, va lá! Eu não te trouxe aqui comigo para ficares a olhar para a comida sem comeres nada. – declarou Mike e, pegando no seu prato, pôs lá todo o tipo de coisas.
 - Isso mesmo. – apoio-o uma rapariga que se sentava do outro lado – Se não comeres, nunca vais crescer… ou tu não precisas?
 A rapariga tinha um curto cabelo cor-de-rosa e os seus olhos também eram da mesma cor. Parecia uma criança com aquele cabelo. A única diferença é que tinha o corpo de uma mulher adulta. Usava um quimono simples cor-de-rosa e parecia estar muito integrada naquele quadro. “Todos necessitam de comer… não?” Saya lembrou-se que Natsu e Yuki quase nunca comiam, dizendo que a energia que Saya lhes fornecia era suficiente. “Hm.. Interessante…” pensou e começou a comer, sem responder a questão que lhe era dirigida. Era obvio que, apesar de tudo, todos estavam intrigados com a presença da estranha. Ninguém sabia quem ela era nem o que fazia ao pé de todos eles. A única coisa boa era que o alvo dos olhares já não era Saya mas sim o Mike. Sorrindo para todos, ele resolveu apresenta-la.
 - Esta é a Saya. – declarou – Se tiverem qualquer questão, perguntem-lhe.
 Sentindo-se traída, Saya virou a cabeça rapidamente, fulminando-o com o olhar. Ele limitou-se a sorrir, começando a falar com os gémeos. “Mas que irritante.” Pegando no seu copo, ela bebeu o conteúdo sem pensar duas vezes, o que revelou-se um grande erro. Isso provocou-lhe uma grande tosse e o riso geral.
 - Mas que desastrada… - declarou a mulher de cabelos cor de rosa  -Eu chamo-me Sara e se tiveres algumas questões, só tens que me perguntar.
 Piscando-lhe uma vez o olho, ela encheu lhe o copo com água. Um pouco envergonhada, Saya agradeceu e bebeu rapidamente.

 Já era noite cerada mas ninguém estava com disposição para sair da sala muito animada. Depois de alguns copos, não fizeram mais perguntas acerca da Saya, limitando-se a falar sobre coisas pouco importantes. Pelos cálculos da rapariga, já devia ser meia-noite e, apesar de ter dormido antes, ela estava com imensa vontade de dormir. Bocejando baixinho, ela notou que Mike e o homem de cabelos longos observavam-na de vez em quando. Era fácil de entender que o segundo era o dono daquela casa, não só pela posição que ocupava mas também pelo modo como os empregados o tratavam. O problema era que ele começava a sentir-se cada vez mais impaciente, olhando para a porta mais vezes e em intervalos cada vez menores, tal como os outros cinco. Isso, e o facto de ele estar a olhar para ela o tempo de sobrava, estava a incomoda-la imenso. “Não penses nisso.” Olhando para a Sara, ela tentou ouvir o que esta estava a dizer quando sentiu uma dor ligeira na cara, mas, pensando que não era nada, apenas sua imaginação, ignorou o sucedido.
 - Então, e o que tu achas, Saya? – perguntou Sara, virando-se para a rapariga com um grande sorriso – Qual dos homens daqui gostas mais?
 Apanhada de surpresa Saya corou como um tomate e os seus lhos verdes voaram por segundos até a cara do proprietário da casa, regressando outra vez tão rapidamente que apenas Sara notou. Rindo-se, a mulher brincou com Saya durante uns momentos.
 - Bem… boa escolha… - afirmou, sem conseguir parar de rir.
 - Cala-te! Não digas nada!
 - Mas que chata.
 A rapariga olhava outra vez zangada, sem dizer mais nada. Sabia que devia ter prestado mais atenção a aquilo que se passava a sua volta mas a reacção da Sara irritava-a tanto… “Não devia ter olhado.” Pensou.
 Enquanto meditava no assunto, sentiu alguém tocar-lhe na face. Virando-se, viu que o Mike olhava-a muito espantado. Mas havia algo mais no seu olha: Medo. Mike tinha o seu dedo perto da cara da rapariga e Saya, ao olhar com mais atenção, reparou que algo vermelho escorria levemente. Era demasiado parecido com sangue. “Como ele cortou-se?” interrogou-se a rapariga, ficando espantada e sobressaltada pela pergunta do Mike.
 - Como é que te cortaste?
A compreensão iluminou a cara da rapariga. “A dor… eles estão cá…” Levantando-se num salto, Saya levou a mão a cara, só para confirmar se era mesmo verdade. Pela primeira vez sentiu o líquido quente a escorrer lentamente pela ara e o corte fino a este associado. Sem demoras, ela desculpou-se e saiu apressada da sala, sem ouvir o que lhe estavam a dizer. Mal ela sabia que se tivesse demorado mais um segundo a sair, não seria capaz de ver os seus amigos nunca mais.

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